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Entenda a relação entre o câncer de colo de útero e o HPV

Por Dr. Bruno Pozzi 02/01/2014

câncer de colo de útero

O câncer de colo de útero é um dos mais importantes e frequentes que encontramos. No mundo, estimaram-se 530.000 casos novos e 275.000 mortes, só em 2008. No Brasil, em 2010, foi responsável por quase 5000 mortes e em 2012, 17500 casos novos. Essas informações conseguimos obter em bons sites, como os do Instituto Nacional de Câncer (INCA). No entanto, são poucas as fontes na internet explicando que se trata de uma doença potencialmente horrível. As pacientes que sofrem com ela podem ter muitas complicações, como dor, mau cheiro, problemas sexuais que podem seguir para o resto da vida (mesmo nas pacientes curadas) e sangramentos, entre outras.

O mais triste é que esse câncer já poderia estar totalmente sob controle. Para isso são necessários conhecimento da população e iniciativas governamentais vigorosas. É um problema muito mais frequente em países pobres, com altos índices de população miserável e ignorante de seus direitos.

O recurso disponível mais importante para a prevenção é o rastreamento periódico com o exame papanicolau, feito nos postos de saúde. No entanto, o objetivo desse texto será o de explicar sobre o vírus HPV e sua participação nessa doença.

O que é o HPV?

O Vírus do Papiloma Humano, ou HPV, é um vírus como qualquer outro, transmissível especialmente pela via sexual. Existem vários subtipos e a eles damos números (como HPV-11, HPV-16, etc). O que realmente chama atenção é sua capacidade de promover o aparecimento de câncer nos seres humanos. Comprovadamente, sabemos que o HPV é responsável por pelo menos 6 tipos de tumores: colo de útero, pênis, vulva, vagina, ânus e boca/garganta. No caso do câncer de colo de útero, a infecção por HPV está presente em 99,7% dos casos!

Os tipos que mais causam o aparecimento dessas enfermidades são os tipos 16 e 18, e por isso são os principais alvos nos estudos para prevenção. A vacina mais difundida é a tetravalente, que combate ambos (o 16 e o 18) além de outro par responsável por doenças benignas. Agora, para 2014, já se espera a distribuição da vacina pela rede pública de saúde brasileira.

Quem deve receber a vacina para prevenir o câncer de colo de útero?

As pessoas inicialmente com mais indicação para receber tal vacina são garotas ainda não expostas ao vírus – aqui no Brasil serão meninas de 11 a 13 anos. Existem estudos mostrando que nessa população a vacina preveniu de 97 a 100% das complicações mais sérias relacionadas ao HPV (incluindo o câncer). É uma proteção maior que a oferecida pela mamografia no câncer de mama, por exemplo. Nas pessoas já expostas ao vírus a eficácia reduz significativamente, explicando o porquê da exclusão das mulheres mais velhas e sexualmente ativas da população-alvo. É por isso que o rastreamento periódico e acompanhamento ginecológico sempre serão importantes na prevenção.

O combate ao vírus HPV, na minha opinião, é um dos maiores avanços recentes na oncologia. Geralmente ficamos maravilhados com as novas drogas lançadas e com o que elas são capazes de fazer. Infelizmente a maioria das drogas que usamos servem apenas para os pacientes que já tem câncer. O impacto que existe, portanto, em uma intervenção que evita o aparecimento desta enfermidade é muito maior, tanto em vidas quanto em custos financeiros, e isso deve sempre ser celebrado.

 

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