Não é segredo que amamentar é um ato de amor, capaz de proporcionar uma série de benefícios ao bebê. Além de favorecer o vínculo afetivo com a mãe, o processo estimula o desenvolvimento cognitivo, emocional e neurológico da criança. Mas nem por isso a produção do leite materno deixa de ser desafiadora.

Há muitos mitos que permeiam o universo do aleitamento. A Pesquisa Global Lansinoh Sobre Amamentação 2014, feita com mais de 13 mil mamães e gestantes em nove países – incluindo o Brasil – refletiu esse cenário. De acordo com o levantamento, apenas 33% das brasileiras consultadas amamentaram por um período de ao menos seis a 12 meses. 

leite materno não é fraco
De acordo com a ciência, não existe leite materno fraco. Foto: iStock, Getty Images

Leite materno fraco: mitos e verdades

A pesquisa sobre aleitamento mostra ainda que mães têm uma preocupação genuína com o desenvolvimento dos filhos: no Brasil, 97% das entrevistadas afirmaram amamentar por conta dos benefícios à saúde das crianças.

Em contraponto, a produção do leite materno também é cercada de desafios. Entre as mulheres consultadas, 93% responderam que sentiriam culpa caso não pudessem amamentar.

A dor associada à amamentação foi outro incômodo mencionado por 47% das mães brasileiras. Também pesa a dificuldade inicial de aprender como oferecer o peito, mencionada por 33% delas. Não bastasse todo o nervosismo, as mulheres ainda sofrem com a presença de mitos. O principal deles é o do leite materno fraco.

Especialista em ginecologia e obstetrícia, o médico Achilles Cruz lembra que o leite materno contém 97% de água, por isso não é tão denso e pode ser facilmente digerido pelo bebê. Além disso, é composto por células vivas que transferem para a criança a imunidade materna contra agentes infecciosos. De fraco, ele não tem nada.

Ainda com dúvidas? Confira outros três mitos e verdades que costumam surgir quando o assunto é a amamentação:

Seio pequeno não produz leite

Mito. O tamanho do seio não influencia no sucesso da amamentação. Isso porque ele está relacionado à gordura das mamas e não às glândulas mamárias e ductos de leite, responsáveis pela produção. Estes são iguais em todas as mulheres, inclusive nas que colocam silicone. Por isso, segundo Cruz, a fartura associada ao tamanho do seio é lenda.

Alimentação influencia no leite

Verdade. Conforme esclarece o médico, tudo o que a mãe consome acaba influenciando no leite materno. Por isso, a orientação é manter uma dieta equilibrada e beber muito líquido durante o período. O consumo de álcool e cigarros é totalmente contraindicado.

Amamentar dói

Nem mito, nem verdade. A dor depende de uma série de fatores: sensibilidade, estado emocional da mulher e a forma como o bebê suga o peito são alguns deles. Normalmente, as mães não sentem dor ao amamentar. É interessante observar se o bebê está abocanhando toda a aréola e não só o mamilo, para evitar as rachaduras.

Leite materno congelado

Depois de retomar a rotina ficou difícil seguir com a amamentação no peito?O leite materno, assim como outros alimentos, também pode ser armazenado. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a ordenha é uma opção para as mulheres que produzem o líquido em grandes quantidades ou que precisam se afastar do bebê.

Para fazer isso com segurança, é válido seguir as recomendações da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano. Elas explicitam que o leite pode ser congelado e estocado por um período máximo de 15 dias, se mantido em temperatura máxima de -3 °C.

Para descongelar o leite, é necessário mantê-lo sob refrigeração, em temperatura máxima de 5°C, por até 12 horas. Depois, o ideal é aquecer o recipiente em banho-maria, para que o líquido descongele completamente.

Uma vez concluída essa etapa, o bebê deve ser alimentado em até, no máximo, 24 horas. Vale lembrar que não é recomendável congelar novamente o que sobrou desse leite. 

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