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A Fenomenologia é o termo por que ficou conhecida a reflexão do filósofo alemão Edmund Husserl, e que marcou diversas correntes importantes da filosofia contemporânea, como a ontologia de Martin Heidegger e o existencialismo de Maurice Merleau-Ponty e de Jean-Paul Sartre.

É uma lógica que não é nem formal, como nas ciências exatas, e nem metafísica. É uma lógica fundamental que investiga como um fato existe de verdade para nós.

 

A essência

Husserl acredita que todos os objetos possuem uma essência que já vem dotada de todos os predicados que a fazem valer como tal objeto. Sendo assim, nosso juízo nos impõe limites, fixados pelas próprias coisas, que nossas fantasias desvendam de acordo com as variações de nossa imaginação. Tal essência é invariante sendo permanente no decorrer dessas variações já que obedece a intuição vivida, não tendo, portanto qualquer caráter metafísico, pois é resultado do que a própria coisa nos revelou numa doação secundária.

Essa idéia contém a inocência do pensamento platônico quando considera a contingência do fato. Assim, seria próprio da essência deste poder ser diferente do que é e contém o cartesianismo, pois esse desvelamento da essência não seria o fim do conhecimento, mas sim o início necessário para o conhecimento deste mundo material. Assim ficaria em contato com o ato da consciência, com o fenômeno da existência quando ele acontece.

 

Mudança da consciência

Aqui, ocorre uma modificação na forma como a consciência entra em contato com o mundo, não deixando de lado o contato entre eles, apenas permite que a consciência atinja a consciência de si mesma.

A epoché é o método universal pelo qual se chega ao Eu puro, tal método separa completamente o mundo das coisas e a consciência. Desta forma, um objeto se apresenta como tal para mim a partir de diversas e contínuas formas de percepção que foram resultado das vivências com este objeto. Por isso, a percepção do objeto é sempre indeterminada, além disso, a coisa e o mundo não excluem a possibilidade de sua não existência. Já o vivido não pode ser captado pela percepção porque sempre está à frente da nossa capacidade de captação, sendo, portanto, um vivido retido e diferente do objeto e do mundo.

 

Intencionalidade

Segundo Husserl, ela é o que possibilita a epoché. Já que esta é qualidade da consciência e reduzir nada mais é do revelar a essência do Eu. Para ele, imaginações, representações, experiências alheias, espontaneidade e reciprocidade são atos de intencionalidade. A consciência tem o pólo Eu e o pólo Isso, para Husserl é possível fazer uma inclusão do mundo na consciência, mas tal inclusão não significa que suas realidades são diferentes e exteriores. Isso porque “o objeto é o fenômeno que reenvia à consciência o que aparece e consciência é consciência deste fenômeno.”.

É importante destacar ainda a importância do outro e do social para a fenomenologia, pois o sujeito transcendental só apreende sua subjetividade enquanto é alguém para um outro. É através da compreensão de um outro que o sujeito se compreende a si mesmo, pois ele só é enquanto o é para outrem. O outro é percebido por mim como um estranho é também um Eu puro que assim como meu Eu não precisa de nada para que exista. Do ponto de vista da fenomenologia o outro seria uma modificação do nosso Eu.

 

Conceitos importantes:

– Opõe à reflexão a introspecção. Para que a reflexão seja válida é necessário que o vivido sobre que se reflete não seja imediatamente arrastado pela corrente da consciência, é necessário que permaneça de certa maneira idêntico a si mesmo através do devir.

– Na sua reflexão não deve ser deixar mascarar o fenômeno realmente vivido por uma interpretação prévia do mesmo.

– Rejeita a separação em exterioridade e interioridade. O Eu puro não é nada, isolado de seus correlatos. O mundo é deste modo, negado como exterioridade e afirmado como ambiente e o Eu é negado como interioridade e afirmado como existente.

– Nos convida a refletir sobre a concepção que temos de homem, não querendo estabelecer a priori o que ele seja, pois ela critica isto, mas nos questionando exatamente sobre se é possível que um ser que está no mundo em constante movimento pode ser pré-definido.

– Dá muita importância ao fenômeno, ou seja, aquilo que se estabelece na relação. Não se interessa em estabelecer o que é mundo e o que é homem (como outras abordagens buscam fazer), pois ambos só existem na relação que estabelecem um com o outro.

– A verdade também passa a ser vista sob outra perspectiva, pois não importa saber o que está inconsciente e que o sujeito não tem acesso, não há uma verdade para ser desvendada. Nem tampouco, existe uma verdade a qual o sujeito não tem acesso e que se ilude com a percepção, pois o que passa a ser considerado verdade é aquilo que é verdade para o sujeito.


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