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Já dizia Tom Jobim em sua canção romântica:  É tanta a mágoa desta separação que já meu corpo chora a falta do teu; Que esses cantos meus são como prantos de adeus por me arrancarem de ti…

As pessoas vêm e vão em nossa vida o tempo todo. E muitas vezes, partem de forma abrupta, inesperada e traumática. Seja uma separação conjugal, um amigo que vai embora, ou um ente querido que morreu.

Pensamos em como nossa sociedade lida com despedidas e perdas. Como nossa sociedade nos ensina e nos permite realizar nosso luto e deixar partir o que se foi sem mais voltar? Como encerramos nossos ciclos?

 

Viver a perda

Perdas fazem parte da vida do homem. E viver a perda e despedir-se é preciso. Porém, vivemos em uma sociedade que não nos ajuda nesse sentido. Latour afirma que “vivemos em uma sociedade que tem por laço social os objetos fabricados em laboratório, substituímos as idéias pelas práticas, o raciocínio apodíticos pela doxa controlada, e o consenso universal por grupos de colegas”.

O prazer e a felicidade são impostos a qualquer preço, não é permitido sofrer, chorar por muito tempo, viver o luto preciso para cada dor. Estamos na sociedade do “fast food”, onde em poucos minutos entramos numa lanchonete e comemos um sanduíche. Tudo é apressado, os dias são corridos. Não há tempo para nossas angústias e dores, não há tempo pra nada. Isso afeta enfim nossas relações, nosso modo de construir afetos, nosso modo de lidar com nossas dores e perdas.

 

Relacionamentos

Considerando que o homem é nutrido através de seus relacionamentos e também sofre suas perdas e dores através destes, verificamos que a perda e o luto são parte da vida como um todo, e o modo que colorirmos o mundo é criado por cada perda. A perda pode provocar sentimentos além da tristeza, pois pode provocar culpa, ira, alívio, vingança.

A Gestalt afirma que uma situação precisa ser acabada, resolvida, para que outra possa surgir. Assim, em casos de perdas não assimiladas permanece-se na dor e em uma situação inacabada, e é somente a partir de seu fechamento que é possível a abertura de novas possibilidades.

 

Situações inacabadas

Uma situação inacabada permanece em primeiro plano, ocupando grande espaço na vida da pessoa. Uma situação inacabada é a presença no hoje de algo que ocorreu no passado. O organismo irá direcionar sua energia para o equilíbrio e uma vez equilibrado sua energia fica livre para ser direcionada para outra necessidade. Nos casos de situações inacabadas, esta retém uma parte da energia do organismo que não retorna a homeostase original. Por isso, toda situação inacabada “pede” fechamento e enquanto não é fechada permanece viva impedindo a abertura de novos ciclos. Isso pode ser observado nos casos de perdas, onde a pessoa permanece fixa naquele lugar de dor não conseguindo sair.

 

Despedir-se

Vemos, com isso, a importância da despedida em nossas vidas. E, consequentemente, do fechamento de situações inacabadas. Assim como o trabalho e possível reconfiguração das perdas e do luto. De modo que seja alcançada maior saúde emocional e equilíbrio homeostático para o seguimento do processo vital. Pois, sempre que uma situação inacabada relacionada a algum tipo de perda ocupa o centro da vida da pessoa, ou de grupo familiar, toda a sua existência fica comprometida. Reconstruir a situação inacabada é o que possibilita o experimento de uma nova resposta.


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