chance

Apesar de todos os estudos e pesquisas envolvidos, a verdade é que a medicina continua não sendo uma ciência exata. Tomar antibióticos para infecção sempre funciona? Não. A oncologia, que aborda uma doença tão complexa como o câncer, não seria diferente. Ao contrário, é uma das áreas que mais trabalha com probabilidades (e não certezas).

É exatamente por isso que eu procuro sempre ser muito claro na hora de indicar qualquer tratamento ou explicar sobre alguma patologia. Não podemos nunca garantir resultados.

 

Onde estão as incertezas?

Estão em todo lugar. Vamos a um exemplo: a paciente foi submetida a uma cirurgia curativa, onde toda a doença foi removida. Ela está curada? Não sei. Em oncologia, definimos cura quando a pessoa passa 5 anos sem apresentar recidiva do câncer. É um período quase que “arbitrário”. Sabemos que após 5 anos as chances do problema retornar reduzem bastante, mas nem por isso a pessoa está isenta de riscos (até porque nenhum de nós está).

Na sua essência, ao tratar um paciente com potencial curativo, o que os oncologistas clínicos fazem é aumentar as possibilidades de sucesso, por vezes de maneira extremamente relevante, por vezes muito discreta. Pesar esse aumento nas probabilidades de cura versus os riscos inerentes do próprio tratamento é parte essencial de nossa especialidade. Outro exemplo: determinado tratamento pode aumentar em 4% a curabilidade, mas os riscos de uma complicação como infecção grave ficam na faixa de 10%. Isso compensa?

 

Na cura e na paliação

E o câncer incurável? As incertezas também existem. O intuito nesta situação é “estacionar” a doença, controlar a dor, reduzir sua extensão. Sempre funciona? Longe disso. Obviamente sempre iremos buscar aquilo que proporcionará mais chance de tudo dar certo. Em caso de falha de tratamento iremos procurar outras alternativas, com novos riscos e beneficíos em potencial sendo propostos.

Ouvir a pergunta “quanto tempo de vida” é muito comum na nossa área. Eu particularmente odeio “dar” esse tempo, afinal isso seria adivinhação e não medicina. O melhor que consigo são dados estatísticos, e justamente por trabalhar com médias eu tenho muita chance de errar, tanto para mais quanto para menos

Fato é, como oncologistas o máximo que conseguimos fazer é tentar jogar as probabilidades a favor do paciente. Por vezes as chances de sucesso são altas e mesmo assim as coisas dão errado. Felizmente também existem os casos “quase impossíveis”, mas que ainda assim dão certo. E é por isso que o oncologista tem que ser eternamente um otimista…

 


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