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Clínica Geral > Saúde Mental

Entenda as raízes dos transtornos alimentares

Por Redação Doutíssima 01/01/2014

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Os transtornos alimentares que causam obesidade ou anorexia afetam o mundo todo e o número de casos vem aumentando. As baixas taxas de sucesso dos tratamentos atuais levaram os pesquisadores a buscar novos tipos de terapia.

Atualmente, os métodos de tratamento das pessoas muito obesas consistem no uso de medicamentos, aconselhamento sobre dieta e cirurgia. Os métodos que não envolvem cirurgia têm apenas pouca chance de controlar o peso por um longo período.

As técnicas cirúrgicas (bypass gástrico ou a redução do tamanho do estômago com o uso de grampos ou bandas) têm sido mais eficazes no controle duradouro do peso, mas podem causar sérios efeitos colaterais. As opções de tratamento para pessoas com anorexia são apenas medicamentos e aconselhamento.

Estudos preliminares que testaram uma nova técnica chamada estimulação cerebral profunda, usada com sucesso no tratamento de pessoas com doença de Parkinson e transtorno obsessivo-compulsivo, indicaram que essa técnica também pode ser eficaz para o tratamento dos transtornos alimentares.

A principal autora desse trabalho foi a Dra. Alessandra A. Gorgulho, dos Departamentos de Neurocirurgia e Oncologia Radioterápica da Escola de Medicina David Geffen School da Universidade da Califórnia, Los Angeles e do Departamento de Neurociência do HCor do Hospital do Coração em São Paulo. A Dra. Gorgulho e colegas publicaram diversos estudos sobre estimulação cerebral profunda.

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O número de pessoas consideradas obesas mórbidas duplicou nos últimos 20 anos. A obesidade mórbida é associada a diversos problemas graves de saúde, como hipertensão, problemas cardíacos, acidente vascular-cerebral, diabetes, artrite, infertilidade, entre outros.

Na outra extremidade da lista de transtornos alimentares está a anorexia, que consiste na recusa em  manter um peso corporal adequado e, em geral, envolve comer muito menos do que o necessário. Mais que 20% dos pacientes com anorexia não obtêm resultados com o tratamento atual, e de 6% a 11% morrem em resultado desse transtorno.

A estimulação cerebral profunda consiste em colocar um microeletrodo no cérebro e aplicar um leve pulso de eletricidade àquela área. Esse tratamento é aprovado pelo FDA (agência norte-americana que regulamenta e controla alimentos e medicamentos) para tratamento do tremor típico da doença de Parkinson e do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), quando outros tratamentos não surtiram efeito.

Pesquisas recentes mostraram que tanto o comer demais quanto a anorexia envolvem diferentes áreas do cérebro. Esse achado foi uma importante etapa no uso da estimulação cerebral profunda para tratar a obesidade e a anorexia.

Dois estudos realizados em 2013 indicaram que a estimulação cerebral profunda pode ser benéfica para pessoas com anorexia.

Nesses dois estudos em que os participantes eram mulheres, os pesquisadores mediram a massa corporal como indicador de como o tratamento funcionava. Um aumento na massa corporal indicava que as mulheres estavam ganhando peso, que é uma meta importante do tratamento da anorexia.

Em um dos estudos, realizado pelo Dr. Nir Lipsman, três das seis mulheres que estavam usando a microssonda, conseguiram aumentar a massa corporal depois de nove meses.

O outro estudo foi realizado pelo Dr. Hongzhi Wu, PhD, com quatro mulheres. Depois de 38 meses, essas mulheres apresentaram um aumento de 65% na massa corporal.

As pesquisas sobre a parte do cérebro que é afetada pela doença de Parkinson forneceram informações que podem ser úteis para o tratamento da obesidade mórbida. Essa parte do cérebro é chamada de sistema dopaminérgico.

Agora que essa parte do cérebro foi identificada, os cientistas acreditam que a estimulação cerebral profunda dessa área será capaz de “desligar” o sinal que leva a comer em excesso. Acredita-se que a estimulação cerebral profunda possa ser usada em pessoas com obesidade mórbida.

Uma das limitações dos dois estudos sobre anorexia é o fato de eles terem sido realizados apenas com mulheres; as técnicas precisam ser testadas também em homens. O número de participantes desses estudos foi pequeno demais para demonstrar com certeza que os resultados tenham sido reais e significativos; por isso, os resultados podem ser chamados apenas de observações e não conclusões. Cinco estudos de pesquisa experimental estão em andamento — dois sobre estimulação cerebral profunda para obesidade e três para anorexia.


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