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Filhos

Como contar a uma criança que ela é adotada?

Por Rafaela Monteiro 07/01/2014

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Muitos vivem o dilema de contar ou não contar a seus filhos adotivos o ato da adoção. Muitos acreditam que o segredo da filiação adotiva pode lhes aproximar dos filhos ou evitar a sua perda. Em alguns casos de adoção é comum os pais fantasiarem sobre uma possível perda do filho diante qualquer revindicação repentina da parte dos pais biológicos ou até mesmo diante do interesse do mesmo pela busca da família biológica. Esses e muitos outros fatores fazem com que muitos pais escondam de seus filhos a condição de adotado.

 

Revelar é preciso?

Sim, revelar é preciso. E o quanto antes. Quanto mais cedo melhor e mais saudável. Muitos pais acreditam que é possível guardar esse segredo para sempre, mas isso não é nada saudável, nem pra relação pais e filhos, nem para o desenvolvimento da criança pois, segundo alguns autores em psicologia, mesmo diante do segredo algo fica no ar e seja psíquica ou inconscientemente existe a sensação, na criança ou adulto adotado, de que existe algo estranho, ou algo a ser descoberto. Muitos relatam um sentimento de inadequação ou de que falta algo, ou até mesmo lacunas abertas e dúvidas em relação ao nascimento, diferenças de cor da pele, cabelo, tipo sanguíneo, personalidade, etc.

Sem contar que toda relação baseada em algum segredo não é muito saudável. Relações de confiança não se estabelecem com segredos ou mentiras. Relações onde a confiança é um fator presente se estabelecem onde não há lacunas e onde há verdade.

 

Mas… Como contar a uma criança que ela é adotada?

Sei que não é nada fácil revelar um segredo como esse, mas em algum momento é preciso. Caso não consiga sozinho, procure ajuda de um psicoterapeuta qualificado.O ideal é que seja feito o quanto antes, mesmo com crianças pequenas. Em caso de crianças pequenas, o fato pode ser contado de forma lúdica, como por exemplo, contar uma historinha da família de ursinhos onde um ursinho que não pode ser cuidado pela mãe encontrou uma outra mãe e outra família que pôde cuidar dele com muito carinho e amor. Fazer um álbum de fotos da criança, desde o abrigo ou qualquer outro ambiente em que ela estava antes de ir para a família adotiva, colocando as fotos de sua infância, sua origem, lugares que ela passou até chegar na família, relatando sua vida, sua história. Isso pode ajudar bastante.

Não tem uma única forma de fazer a revelação da adoção. Pois isso vai depender de vários fatores, da idade da criança, da família, dos pais, do relacionamento ali estabelecido, enfim, não temos uma receita ideal. O que sei é que tudo isso precisa de muito amor e cuidado, e que por mais difícil que seja, pode promover muita saúde na relação de pais e filhos e evitar muitos problemas futuros, como em casos em que a criança descobre de forma ruim, inadequada ou inesperada.

 

Quebrando paradigmas

Todos têm o direito de saber sua origem. E paradigmas existentes de que filhos adotados são menos ou que podem ser problemáticos devem ser quebrados. Família nasce no amor, no cuidado, no afeto, o laço de sangue por si só não diz muito, é preciso a construção de uma relação de afetividade e isso independe do sangue. Existe muito filho órfão de pai vivo, pois a adoção atravessa até mesmo o biológico, pois todos os pais adotam ou não seus filhos, sejam eles biológicos ou não. Como alguns autores afirmam, a adoção perpassa a todos nós, sempre.


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