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Paralisia cerebral: como lidar

Por Mayara Pinheiro 17/02/2014

paralisia cerebral

Ontem, assistindo ao programa ‘Fantástico’ da Rede Globo, me emocionei com a historia de Raphael, um menino de 12 anos com paralisia cerebral mista. Por isso hoje decidi falar um pouco mais sobre a paralisia cerebral.

Entenda um pouco mais sobre a Paralisia Cerebral

A paralisia cerebral é uma lesão que acontece, em geral, quando falta oxigênio no cérebro do bebê durante a gestação, no parto ou até dois anos após o nascimento – neste caso, pode ser provocada por traumatismos, envenenamentos ou doenças graves, como sarampo ou meningite.

Dependendo do local do cérebro onde ocorre a lesão e do número de células atingidas, a paralisia danifica o funcionamento de diferentes partes do corpo. A principal característica é a espasticidade, um desequilíbrio na contenção muscular que causa tensão e inclui dificuldades de força e equilíbrio. Em outras palavras, a lesão provoca alterações no tônus muscular e compromete a coordenação motora. Em alguns casos, há também problemas na fala, na visão e na audição.

 

paralisia cerebral

Causas de Paralisia Cerebral

As causas exatas da maioria dos casos da paralisia cerebral são desconhecidas, mas muitos são o resultado de problemas durante a gravidez, em que o cérebro está danificado ou não se desenvolveu normalmente. Isto pode ser devido a infecções, problemas de saúde materna, uma doença genética, ou qualquer outra coisa que interfira no desenvolvimento normal do cérebro. Problemas durante o trabalho de parto também podem causar paralisia cerebral em alguns casos, mas estes são mais raros.

Os bebês prematuros (que pesam menos de 1,5kg) têm maior risco de apresentar paralisia cerebral do que os bebês que nascem no período certo.

Uma lesão no cérebro durante infância pode transcorrer para um paralisia cerebral. Um bebê ou criança pode sofrer esse dano por causa de envenenamento por chumbo, meningite bacteriana, desnutrição, ser sacudido (síndrome do bebê sacudido), ou estar em um acidente de carro.

5 tipos básicos de paralisia cerebral

paralisia cerebral

  • Espástica — Movimentos Duros e difíceis;
  • Discinética ou atetóide — Movimentos involuntários e descontrolados;
  • Atáxica — Coordenação e equilíbrio ruins;
  • Hipotônica — “boneca de pano” – tônus baixo, hipermobilidade articular;
  • Mista — Combinação de diferentes tipos.

 

Sintomas de paralisia cerebral
Os sintomas de paralisia cerebral podem divergir muito entre as pessoas com esse conjunto de distúrbios. No tipo mais comum de paralisia cerebral, a espástica, geralmente os sintomas são:

  • Músculos muito rígidos, que não se alongam e podem se tornar ainda mais rígidos com o tempo;
  • Andar anormal: braços dobrados para os lados;
  • Joelhos cruzados ou se tocando;
  • Pernas fazem movimentos de “tesouras”;
  • Andar na ponta dos pés;
  • As articulações são rígidas e não abrem totalmente (denominada contratura articular);
  • Fraqueza muscular ou perda dos movimentos em um grupo de músculos (paralisia);
  • Os sintomas podem afetar um braço ou perna, um lado do corpo, as duas pernas, ou os dois braços e as duas pernas.

 

Outros sintomas podem ocorrer em todos os demais tipos de paralisia. São eles:

  • Tremores;
  • Movimentos contorcidos das mãos, pés, com agravando quando a pessoa fica estressada;
  • Perda da coordenação;
  • Músculos flácidos;
  • Problemas de fala;
  • Problemas de audição;
  • Convulsões;
  • Dificuldade para sugar alimentos (quando bebês) e para mastigar (quando adultos);
  • Constipação, vômito;
  • Aumento da baba;
  • Incontinência urinária;
  • Respiração irregular;

 

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Tratamento clínico

O tratamento para a paralisia pode ser cirúrgico mas a maioria das crianças com paralisia cerebral se beneficia da fisioterapia e da terapia ocupacional precoces, juntamente com o tratamento medicamentoso.

Tratamento fisioterapêutico

O tratamento fisioterapêutico depende do tipo e grau da paralisia. A maior parte dos fisioterapeutas têm obtido melhor resultado quando trabalha com as crianças no contexto do seu dia dia, indo à casa da criança, à escola, aos locais comunitários, para proporcionar apoio à criança, aos pais e professores.

É feito um exame minucioso, no qual o fisioterapeuta irá observar o tônus postural e a atividade motora grossa, além de fazer uma avaliação biomecânica das retrações musculares, marcha, entre outros. A partir desse momento o fisioterapeuta estará pronto para traçar o melhor tipo de tratamento. As opções são:

Facilitação neuromuscular proprioceptiva

Foi desenvolvida por um neurofisiologista chamado Hernman Kabat, por isso é conhecida como Método Kabat. Consiste em um sistema de técnicas e métodos facilitadores de movimento e inibição da hipertonia. São padrões de movimentos em espiral, rotacional e em diagonal, com sinergia dos grupos musculares. Outra importante característica do método é a estimulação sensorial aplicada na pele, com o objetivo de facilitar o movimento, com toque e pressão, tração e compressão, estiramento acrescido de resistência ao movimento com o efeito proprioceptivo. Utiliza a movimentação reflexa como facilitadora do movimento voluntário. O estímulo auditivo e visual deve ser usado simultaneamente.

 

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Conceito neuroevolutivo Bobath

Criado por Berta e Karl Bobath, trata-se de um conceito que tem como filosofia dar função a pacientes com lesão do sistema nervoso central, integrando os muitos sistemas orgânicos. Possui alguns recursos como pontos-chave, movimentando determinada região do corpo para se conseguir um melhor alinhamento biomecânico para executar um movimento. Essa área recebe um estímulo tátil que pode aumentar ou diminuir o tônus e também o movimento. Estímulos proprioceptivos como co-contração podem ser usados para dar estabilidade simultaneamente. Outro recurso usado é a inibição da movimentação inadequada, facilitando os movimentos funcionais com manuseios específicos para favorecer as atividades, tornando-as mais fáceis.

 

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Estimulação sensorial para ativação e inibição

Foi criada pela fisioterapeuta e terapeuta ocupacional Margaret Rood (a técnica também é chamada de Rood), que se baseou em teorias neurofisiológicas. Os estímulos sensoriais aferentes são uma de suas técnicas (estímulo tátil), gelo e calor (estímulo térmico) pressão, estiramento muscular rápido, lento e aproximação articular (estímulo proprioceptivo), usados para ativar, facilitar ou inibir a resposta motora.

E como foi dita na reportagem do Fantástico: “A fisioterapia, em um caso como o do Raphael, é para toda a vida. Cada pequeno passo é comemorado como se fosse uma vitória.”

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Se você não viu a reportagem, vale a pena conferir aqui! Emocionante.

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