Visto inicialmente como uma porta de saída para os fumantes, o cigarro eletrônico vem sendo ligado também ao risco de outras doenças pulmonares, por causa do tamanho das partículas de vapor inaladas

 

cigarro eletrônico
Foto: Shutterstock

 

A afirmação de que não existe um cigarro que seja seguro sempre foi utilizada para definir os cigarros mentolados, com filtro duplo ou fino, mas a ser usado também para a nova moda entre os fumantes: o cigarro eletrônico. Eles têm sido amplamente elogiados pelos usuários e fabricantes como uma alternativa para parar fumar, sendo considerado inofensivo. Mas não há muita pesquisa para apoiar essa afirmação. Estudos recentes têm mostrado que, além da nicotina, eles ainda contêm minúsculas partículas que podem irritar os tecidos pulmonares e causar diversas doenças.

A venda dos cigarros eletrônicos no Brasil está proibida pela ANVISA, mas tem ganhado cada dia mais popularidade em países da Europa e Estados Unidos, mercado do qual usuários brasileiros importam diretamente. Ao contrário dos cigarros tradicionais, e-cigarros não queimam folhas secas de tabaco com cerca de 600 aditivos dos quais 69 dos quais são cancerígenos. Em vez disso, um dispositivo alimentado por bateria aquece uma solução líquida (chamado e-líquido) que possui nicotina e aromatizantes, criando um aerossol que é inalado para simular a sensação física de fumo em um processo conhecido como “vaping“.

Modelos mais modernos de cigarros eletrônicos permitem ao usuário ajustar a voltagem da bateria, que ajusta a intensidade do elemento de aquecimento. Quando a solução torna-se quente, intensifica o efeito da nicotina. Infelizmente, estas temperaturas elevadas afetam também a glicerina e o propileno glicol usado como solvente no e-líquido, convertendo-os em carbonilos, tais como formaldeído e acetaldeído.

 

Estudos alertam para os riscos do cigarro eletrônico

 

No início deste ano, um estudo mostrou que o aumento da tensão e-cigarro de 3.2V para 4.8V utilizando o e-líquido com os dois solventes produz quase tanto formaldeído quanto um cigarro tradicional. Enquanto o corpo humano produz formaldeído como um subproduto da atividade metabólica normal nas células, a inalação destas substâncias pode vir a ser cancerígena. O mesmo estudo também descobriu ainda que em tensões mais baixas, cigarro eletrônico pode ser até 800 vezes menos perigoso que o cigarro comum em relação a esta substância. Se neste sentido ele parece muito mais seguro, os estudos indicam que o tamanho das partículas de vapor e o método de inalação do produto podem aumentar fortemente o risco de outras doenças pulmonares.

As partículas contidas no fumo de cigarro inalado têm um tamanho médio de 0,3 a 0,5 micrómetros. Os testes mostraram que as partículas dos e-cigarros têm em média 0,18 a 0,27. Cerca de 40% destas partículas podem penetrar profundamente nos pulmões e se incorporar aos alvéolos, onde ocorre a troca de gases. Mesmo que a própria partícula não seja tóxica, o tamanho pode trazer uma sobrecarga para os pulmões, o que pode causar doenças.

Como vaping ainda é relativamente novo, ainda não foi possível fazer estudos de longo prazo que pudessem confirmar ou não seus riscos à saúde. Alguns estudos iniciais afirmam que os e-cigarros são uma opção melhor do que o cigarro tradicional, o que não é nada muito empolgante, tendo em vista que o consumo de tabaco é comprovadamente terrível ara a saúde em diversos aspectos.

Mesmo que o cigarro eletrônico seja melhor do que fumar, não significa que ele seja seguro. Como sua popularidade continua a crescer, é importante entender todos os riscos associados a ele tanto para o usuário quanto para as pessoas que estão à volta de que os utiliza e que também inalam o vapor.

 

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