Clínica Geral

Bela Adormecida? Conheça a síndrome rara que leva a muitas horas de sono

Por Redação Doutíssima 19/11/2014

Dormir por intermináveis horas não é uma realidade que existe apenas nos contos de fadas. Considerada uma síndrome rara, a doença de Kleine-Levin é um distúrbio neurológico de origem desconhecida caracterizada por episódios de hipersônia, associados a distúrbios cognitivos e comportamentais.

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Síndrome de Kleine-Levin ainda não é muito conhecida. Foto: iStock, Getty Images

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Também conhecida como a “síndrome da Bela Adormecida”, a condição faz com que a pessoa sofra períodos de crise em que passa muitos dias dormindo, acorda com irritação e agitação, e cada período de sono costuma variar entre 17 e 22 horas seguidas. Ao acordar, o indivíduo sente-se sonolento, voltando a dormir passado pouco tempo.

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Síndrome rara ainda não é compreendida pela ciência

A síndrome rara, que conta com mil casos conhecidos no mundo, é de difícil diagnóstico, pois não há um teste específico para detectar a presença desta condição. A doença costuma surgir entre o meio e o fim da adolescência, sendo mais recorrente em homens (72% dos casos) a partir dos 15 anos.

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Não existe cura para esta condição, mas, aparentemente, ela deixa de apresentar crises após os 30 anos de vida.

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Todas as vítimas apresentam quadro de hipersônia (sono excessivo), deteriorização cognitiva (apatia, confusão e lentidão) e um sentimento específico de desrealização (um estado parecido com sono com percepção alterada).

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É comum que após um período de crise a pessoa não se lembre de alguns acontecimentos de sua vida, o que pode ser caracterizado como uma amnésia leve. Algumas pessoas ainda apresentam hiperfagia, que é a compulsão por comida. Durante os períodos de crise, nas poucas horas do dia acordados, elas acabam comendo compulsivamente.

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Outros sintomas que podem acometer as vítimas desta síndrome rara são a hipersexualidade, que é mais comum entre os homens, ansiedade, alterações compulsivas ou de humor e depressão (53% dos doentes, predominantemente mulheres).

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Causas da síndrome rara do sono excessivo

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Ainda não se sabe exatamente as causas da doença. No entanto, cogita-se que ela tenha relação com algum distúrbio hereditário. Isto porque houve relatos do distúrbio em 18 de 25 pessoas de uma mesma família. Outra hipótese é de que esta síndrome rara seja resultado de uma doença autoimune.

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Segundos pesquisas, as crises costumam ser deflagradas após algumas ocorrências específicas. Chamadas de gatilhos, as manifestações da síndrome podem ocorrer em decorrência de algum abalo emocional ou de algum episódio viral.

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Acredita-se que uma disfunção do hipotálamo, estrutura cerebral que regula funções como o sono, a sexualidade e a temperatura do corpo, esteja por trás dos surtos.

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O tratamento da doença é feito com a ingestão de medicamentos à base de lítio durante o período de crise. No entanto, os pacientes desta síndrome rara geralmente apresentam uma fraca resposta ao tratamento médico.

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O uso de estimulantes, como amantadina e, mais raramente, modafinil ou anfetaminas, e estabilizadores de humor como lítio e valproato – mas não carbamazepina – tem eficácia modesta.

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Ainda faz parte do tratamento da síndrome Kleine-Levin deixar que a pessoa durma o tempo que for necessário. É recomendado que se acorde o indivíduo no mínimo duas vezes ao dia para que ele se alimente e vá ao banheiro realizar sua higiene pessoal.

 

 

 

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