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Será que o brasileiro é machista? Entenda a situação das mulheres

Por Redação Doutíssima 06/12/2014

Não é porque podemos votar, usar biquíni, fumar – isso é um hábito que precisa mudar –, trabalhamos fora, ou não usamos burca, como as mulheres muçulmanas, que não somos discriminadas. A sociedade brasileira é machista, desdenha a mulher, a trata como objeto e não valoriza suas ações.

 

Essas são conclusões de inúmeros estudos feitos no Brasil, e o mais impressionante é saber que até quem deveria se revoltar contra isso pensa assim. Ou seja, a própria mulher.

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Há situações em que elas mesmas aceitam o machismo. Foto:iStock, Getty Images

Pesquisa estuda o assunto

 

Prova disso é uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em conjunto com a Universidade de São Paulo, em que 65,5% das pessoas que responderam a um questionário sobre violência contra as mulheres eram do sexo feminino.

 

Ao responder se concordavam totalmente ou parcialmente com a frase “Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”, 42,7% dos entrevistados concordaram com a afirmação. E apenas 24,3% não aceitam o argumento para a violência.

 

Para os sociólogos e antropólogos, os números são reflexos de uma sociedade machista onde o desrespeito impera e reflete o que já é visto na rua. As capitais com o maior número de estupro são aquelas onde há praia e é na periferia das cidades onde a violência contra a mulher impera.

 

Ser machista se aprende em casa

 

Mas o machismo começa bem antes de sair para a rua. Ele começa no seio da família. Afinal, homem não limpa a casa, não lava a roupa nem cozinha. Isso é tudo tarefa da mulher, que ela aceita perfeitamente e com um sorriso no rosto. E, a mulher faz mais. Trabalha fora, cuida dos filhos e é até professora nas horas “vagas”.

 

Homem tem que ter tempo para ele, para os amigos, para jogar futebol ou fazer churrasco – aquele mesmo, que a mulher faz todo o restante da comida e depois lava a louça, inclusive, os espetos.

 

Mas a mulher não pode sair com as amigas para tomar um chope ou ter um final de semana só dela. Ou ela se preocupa com o bem-estar do marido ou com o que vão dizer dela.

 

A opinião machista também está presente no mercado de trabalho. Mesmo exercendo as mesmas funções de um homem, a mulher chega a ganhar 30% menos do que ele. Uma mulher só chega a ser uma executiva de sucesso se abrir mão da vida pessoal. Se for solteira e sem filhos, melhor ainda.

 

Machista se revela no trânsito

 

No trânsito, o machismo pode até ser mais sutil, mas existe. Mesmo que elas tenham o menor percentual de infrações, que sejam minoria nos acidentes e que os seguros sejam mais baratos por conta disso, as mulheres ainda são taxadas como más motoristas.

 

Certamente você já ouviu alguém gritar “tinha que ser mulher” ou “dirige como uma mulher”, não é mesmo?!

 

Nos presídios, onde a violência impera, os presos chegam ao cúmulo de ameaçar os novos detentos afirmando que eles serão “as mulherzinhas” da prisão. Há atitude mais machista do que esta?

 

Para os estudiosos, uma sociedade machista não acaba da noite para o dia. Precisa de muita educação em casa, na escola, em todos os setores das comunidades. Mesmo que haja alteração nas leis, mudar o pensamento de um povo, que é machista desde sua concepção, pode levar décadas, ou até séculos.

 

 

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