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Sexualidade

Submissão: o que isso significa na relação

Por Redação Doutíssima 14/03/2015

A polêmica levantada pela história “50 tons de cinza”, tanto no âmbito da literatura quanto cinematográfico, reabre uma discussão: até que ponto a submissão é saudável ou prejudicial em uma relação?

Trata-se da história do milionário Christian Grey, que encontra a jovem jornalista Anastasia Steele. Virgem e com baixa autoestima, ela chama atenção do empresário que a seduz com charme, beleza e presentes caros em troca de uma relação na qual ela é submissa às práticas sexuais pouco convencionas de Grey.

submissão

Há diferença entre o conceito difundido por 50 Tons de Cinza e casos de violência doméstica. Foto: iStock, Getty Images

A submissão é uma prática saudável?

A submissão na qual Anastasia se rendeu, segundo Amy Bonomi,  presidente e professora no Departamento de Desenvolvimento Humano e Estudos da Família, Universidade de Michagan, nos Estados Unido, pouco ou nada tem a ver com a prática consensual de mesmo nome.

São de Amy dois dos artigos mais lidos, no ano de 2014, no periódico Journal Women Helth. Não por coincidência, ambos tratam de estudos baseados na história de submissão do best seller escrito por E. L. James.

A pesquisa que investigou sobre os abusos emocionais e sexuais vividos pelas mulheres, concluiu que 25% delas são vítimas de parceiros íntimos. O maior temor da pesquisadora é que o livro perpetue padrões de abusos considerados perigosos por ser vendido como uma história romântica e erótica para as mulheres.

Prática sexual e violência doméstica

O BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo) engloba práticas sexuais cujos requisitos para ser considerados por seus praticantes devem ser consensual, seguro e sadio. Em hipótese alguma deve comprometer a integridade física, mental e psicológica dos envolvidos.

Já a violência doméstica é crime pois não passa por nenhum desses critérios. Assim como não é saudável quando um dos parceiros permite práticas abusivas sem estarem de acordo com elas, o que se caracteriza violência psicológica e mental.

A submissão, quando é voluntária pode trazer momentos de prazer para o casal e e apimentar o relacionamento. Quando acompanhada de opressão, humilhação, vergonha e medo, deve ser denunciada aos órgãos competentes e não endossar as estatísticas que escondem as marcas da violência vividas pelas mulheres.

Por que ocorre a submissão opressora?

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), apontam que, no mundo, uma em cada três mulheres sofrem violência física e sexual por seus parceiros. Embora alarmante, o número de denúncias que chegam por meio delas é pequeno.

No Brasil, a Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, divulgou em fevereiro deste ano, um estudo no qual aponta que o número de denúncias de violência aumentou em 40% em relação ao ano anterior.

O Ligue 180 totalizou 485 mil atendimentos e, desses, 52.962 envolveram denúncias de agressão física, psicológica, moral e sexual. O estupro representou 1.164 dos casos, e o cárcere privado, 931.

Os números são altos mas, de acordo com as informações do 8º Anuário de Segurança Pública, no qual 50.320 casos foram registrados, a realidade esconde uma estimativa de 143 mil mulheres que sofrem caladas.

Grande parte dos casos ainda se esconde atrás do medo, da vergonha e da submissão. Em agosto de 2013, uma pesquisa feita pelo Instituto Patrícia Galvão e o Data Popular mostrava que 60% das mulheres agredidas preferiam não denunciar.


Mesmo submissas, elas continuam com seus companheiros, 49% delas apontaram os filhos como causa para prosseguirem com o relacionamento. A promessa de que o crime não se repetiria mantinha 40% delas juntos de seus agressores. Cerca de 20% achavam que o amor que elas sentiam pelo companheiro poderia  mudar a situação.

 

 

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