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Stalkear: como identificar quando a prática vira obsessão

Por Redação Doutíssima 27/06/2015

É algo quase instintivo: você entra no Twitter, no Facebook ou no Instagram e uma foto ou duas chamam a atenção. Quando vê, já se passaram horas e você não consegue deixar a página de determinada pessoa, quer saber de tudo. Você talvez não saiba, mas faz parte de um grupo que cresce cada vez mais: o de pessoas que conjugam na primeira pessoa o verbo stalkear.

 

Stalkear é uma adaptação à língua portuguesa da ação do stalker, em inglês, que significa “perseguidor”, “assediador”, “obcecado”. Significa investigar, olhar, descobrir informações acerca de pessoas através de redes sociais.

stalkear

Investigar a vida das pessoas nas redes sociais pode se tornar uma obsessão. Foto: iStock, Getty Images

“O termo vem sendo usado para definir e delimitar os comportamentos, que ligados à curiosidade, buscam informações das informações, por exemplo, entrar no perfil de amigos dos amigos no Facebook”, afirma a psicóloga Carolina Lisboa.

Stalkear é um movimento em cascata

Segundo ela, trata-se de uma espécie de movimento em cascata. “Stalkear significa esta busca por informações que não são invasivas teórica e formalmente porque os perfis são públicos, abertos, mas que representam um comportamento invasivo por parte dos ‘stalkeadores’ ou stalkers”, completa.

Conforme um estudo de 2012 realizado na Western University, Canadá, 88% dos usuários do Facebook utilizam a rede para acompanhar o que um ex-namorado ou ex-namorada está fazendo. A pesquisa constatou que o maior interesse dos stalkers era saber se os ex-companheiros tinham novos amores.

Mas como conhecer o limite entre o saudável e a obsessão quando se trata de investigar a vida de outras pessoas através das redes sociais? Para Carolina, é justamente esse o problema. Se as informações são públicas, a priori stalkear não é ou não seria um problema.

No entanto, como a pergunta já sugere, existe um limite muito tênue entre uma curiosidade que busca ser saciada e um comportamento obsessivo – e principalmente controlador -, no qual o protagonista se torna invasivo ou ainda realiza inferências sobre a vida de determinada pessoa.

Segundo a psicóloga, stalkear pode ser patológico em razão da frequência com que ocorre. Assim como quando vira uma necessidade e é justificado pelo desejo de manter poder e controle sobre as pessoas e as situações sociais da vida.

Por que stalkear?

Para Carolina, o que leva as pessoas a se tornarem stalkers, em um primeiro momento, além da curiosidade é a oferta atual. Há muita informação disponível e as pessoas são chamadas a consumirem informação o tempo todo.

No entanto, pessoas mais controladoras, mais invasivas ou mesmo com traços obsessivos são as que estarão em risco para fazerem desse comportamento um hábito.

Assim, a especialista sugere desenvolver o autocontrole, mas alerta. Trata-se de uma habilidade que todos devem buscar se quiserem viver em sociedade com menos conflitos nas relações.

Um ponto que Carolina diz importante ressaltar é que investigar é diferente de perseguir. O ato do stalker pode não ser descoberto, ou seja, a pessoa investiga, mas não necessariamente persegue ativamente (com ameaças, cerceamento, coerção) outras pessoas.

 

Um exemplo de perseguição foi o que ocorreu com a cantora Ariana Grande em 2014. Ela passou por momentos complicados por causa da obsessão de um homem que enviava presentes e a perseguia na gravadora. Blake Lively, Lady Gaga e Selena Gomez são outras famosas que já sofreram por causa dos stalkers.

A terapia pode ser uma possibilidade eficaz para tratar esse comportamento que pode trazer insegurança, necessidade de controle sobre as coisas e dificuldade de controlar impulsos e respeitar limites.

 

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