Parceiro do site Doutíssima, o ginecologista e obstetra Dr. Bruno Ramalho é especialista em distúrbios de fertilidade. Neste artigo ele nos explica sobre fertilidade feminina e nos esclarece algumas dúvidas sobre o assunto.

 

Dúvidas sobre a fertilidade feminina são muito frequentes entre asais que pretendem ter um filho e é muito comum que as tentativas de engravidar sejam baseadas em certos mitos ou a partir de interpretações equivocadas sobre o tema. É notória a circulação de conceitos distorcidos  sobre o assunto até mesmo entre os profissionais de saúde.

 

 

fertilidade feminina
Dúvidas sobre a fertilidade feminina são muito frequentes entre casais que pretendem ter um filho.

 

 

 

Estes mitos e equívocos relacionados à fertilidade serão esclarecidos aqui, lembrando que textos na internet não diminuem, em hipótese alguma, a importância da consulta médica, tampouco a substituem.

 

Fertilidade feminina e ovulação 

 

Instintivamente, somos levados a pensar que a mulher é mais fértil no dia da ovulação ou a partir deste dia. Entretanto, a literatura científica indica maiores chances de gravidez quando a relação sexual acontece dentro do intervalo que se inicia 5 dias antes da ovulação e termina no dia em que ela acontece. Assim, esse período de seis dias seria o período fértil.

 

Falando das chances de tudo dar certo com uma única relação sexual, a gravidez parece ser mais provável quando ela acontece 2 dias antes da ovulação. Mas, claro, ter mais de uma relação sexual no período de 6 dias, certamente, aumentará as chances de concepção.

 

 

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O momento mais propício para conceber é o período de 5 dias antes da ovulação até o dia em que ela acontece. Foto: Istock.

 

 

Cabe uma informação importante neste ponto: o período fértil não se altera com a idade da mulher; o que se altera é a chance de engravidar, que diminui à medida que a idade avança. Dessa forma, com uma relação sexual isolada 2 dias antes da ovulação, a chance de gravidez de uma mulher com 35 a 39 anos de idade corresponde aproximadamente à metade da chance de uma mulher com até 26 anos.

 

Fertilidade feminina e frequência das relações sexuais

 

Também muito comum é a ideia de que as chances de gravidez sejam  maiores quando as relações sexuais acontecem em dias alternados, imaginando-se que ejaculações frequentes diminuiriam a quantidade de espermatozóides no esperma. Entretanto, não parecem existir também bases científicas para tal afirmação. 

 

Ao contrário, os dados científicos demonstram que as chances de gravidez são praticamente as mesmas quando as relações são diárias ou no regime “dia sim, dia não”. Em um estudo de mais de 9 mil amostras de esperma, demonstrou-se que o número de espermatozóides e a capacidade deles de nadarem em direção ao óvulo permaneceram inalterados em homens saudáveis mesmo com ejaculações diárias. 

 

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Alternar a frequência sexual não facilita a concepção. Foto: Istock.

 

É importante que os casais que desejam ter filhos saibam que as chances de sucesso aumentam com uma boa frequência sexual no período certo e que tanto faz ter relações diárias ou pular um dia entre elas. Dessa forma, as relações acontecerão de acordo com o desejo e a preferência a cada ciclo, tornando-se o processo mais prazeroso .

 

Posição sexual não influi na concepção

 

A posição adotada durante a relação sexual ou depois dela em nada se associa à ocorrência da gravidez. É comum a crença feminina de que permanecer deitada por vários minutos depois da relação (ou até mesmo elevar os quadris) evita que o sêmen escorra e, assim, favoreça o trabalho dos espermatozóides, mas não existe qualquer fundamento científico para isso.

 

Estudos – até bem antigos – demonstram que os espermatozóides, uma vez depositados na vagina, podem já ter entrado no útero em menos de 2 minutos e que em 15 minutos já podem estar nadando nas trompas em busca do óvulo.

 

Relação sexual e sexo do bebê

 

Outra crença comum afirma que a relação sexual mais próxima à ovulação favoreceria a concepção de meninos e a relação mais distante da ovulação, a de meninas. Embora essa seja uma teoria muito disseminada, lamento dizer que para ela também não existe justificativa da ciência.

 

 

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A relação sexual nada influi no sexo do bebê.

 

Ou seja, não há nada que indique com força de evidência a ligação entre o dia da relação sexual, a ovulação e o sexo da criança gerada. Na verdade, o que existe é uma quantidade pequena de estudos, a maior parte deles realizada há mais de 15 anos, em pequenos grupos de pacientes, com resultados contraditórios, que não permitem consenso e tampouco servem para embasar uma orientação formal.

 

Fertilidade feminina: os 40 anos de hoje não são os 30 de ontem

 

Os avanços dos conhecimentos em saúde e o melhor acesso à informação sobre hábitos de vida saudável permitem hoje uma boa diferenciação entre os conceitos de idade e velhice. Daí, surge a ideia de que aos 40 anos as mulheres de hoje tenham uma saúde semelhante – ou até melhor – que a saúde das mulheres de 20 ou 30 anos de outrora.

 

Infelizmente, embora isso possa ser verdade para vários aspectos, é uma ideia falha com relação à fertilidade. Os números variam um pouco, mas dados científicos apontam que cerca de 75% das mulheres que iniciam as tentativas de engravidar aos 30 anos darão à luz um nascido vivo dentro de 12 meses, enquanto no máximo cerca de 45% engravidarão iniciando as tentativas aos 40 anos de idade.

 

Recentemente publicou-se um modelo matemático para estimar as chances de um casal ter o número de filhos, de acordo com a idade da mulher ao iniciar as tentativas de gravidez. O modelo previu que casais com desejo de ter apenas um filho terão 90% de chance de tê-lo naturalmente se iniciarem as tentativas de gravidez até os 32 anos de idade da mulher. Mas quando o objetivo do casal é de conceber naturalmente dois ou três filhos, a mulher deve iniciar as tentativas aos 23 e aos 27 anos, respectivamente, sob risco de não ter sucesso iniciando em idades mais avançadas.

 

Dr. Bruno Ramalho atua há dez anos no tratamento dos distúrbios da fertilidade. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia e, depois, em Ginecologia e Obstetrícia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (FMRP – USP). Também na FMRP – USP, especializou-se em Reprodução Humana, além de ter se tornado Mestre em Ciências Médicas. Possui Título de Capacitação em Reprodução Assistida pela ASBRA – Associação Brasileira de Reprodução Assistida. Hoje, concentra seus estudos no tratamento da infertilidade e na preservação da fertilidade de pacientes oncológicas (oncofertilidade).

 

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