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Como ajudar seu filho a perder o medo de ir à escola? Descubra

Por Francine Costanti 22/04/2019

Seu filho se recusa a ir para a escola? Isso é mais comum do que pode parecer. Muitas crianças apresentam resistência quando colocadas em situações inéditas, e ir à escola pode ser uma delas.

Mas, se não tratado adequadamente, esse medo pode virar fobia e desencadear sintomas mais graves que farão a criança querer se afastar cada vez mais do ambiente escolar. Para esclarecer as dúvidas, consultamos a Dra. Deborah Moss, neuropsicóloga e mestre em Psicologia do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP), que aponta algumas causas e possíveis soluções para o problema.

O que pode causar a fobia escolar?

No topo da lista está o bullying. Se a criança estuda em um ambiente agressivo e estressante pode chegar ao ponto de “travar” e se negar a ir à escola. “Muitas vezes ela não consegue expressar o motivo e simplesmente desenvolve um tipo de repulsa. A escola passa a ser vista como um lugar ruim e de muito sofrimento”, conta Deborah.

“Outra causa possível é a dificuldade de aprendizado, que gera baixo rendimento escolar e pode fazer com que o aluno se sinta incapaz. Para essa criança, a escola vira um espaço que passa a ser marcado pelo fracasso e não pelo aprendizado. Isso tem impacto profundo na auto-estima”.

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Entre os sintomas de fobia escolar estão dificuldade de prestar atenção e a baixa concentração. Foto: iStock

Nesses casos, muitas vezes o problema não está na criança, mas na metodologia de ensino ou no momento emocional em que ela se encontra. Esse tipo de problema requer atenção e acolhimento dos pais e da escola.

Em idades pré-escolares, porém, a própria insegurança de se ver separado dos pais e sendo inserido em um ambiente desconhecido faz com que haja resistência. Algumas crianças podem ter medo de os pais os esquecerem na escola ou, se já têm algum trauma nesse sentido, imaginam que isso pode acontecer de fato.

Quais sintomas físicos a criança pode apresentar?

Os sintomas são típicos de crises de ansiedade, como sudorese, tremores, choro excessivo, sensação de estar doente, náusea e dor de barriga, dificuldade de prestar atenção e baixa concentração.

Qual é a melhor maneira de lidar com o medo da criança?

Num primeiro momento, a família precisa entrar em contato com a escola e entender o que se passa no dia a dia escolar da criança. O objetivo é descobrir se há algo que tem chamado a atenção dos professores e compreender o contexto da fobia.

“Se você já fez isso e não notou melhora, o próximo passo é conversar com um pediatra da criança ou pré-adolescente, até mesmo para descartar qualquer condição clínica e analisar se não há nada orgânico ali que pode estar sendo confundido com sintomas emocionais e psicológicos”, orienta a especialista.  

Em paralelo a isso, é importante observar essa criança em outros contextos. A escola também deve começar a analisar o comportamento. Geralmente elas também demonstram que não estão bem em outros aspectos, por isso vale prestar atenção em como a criança se comporta nas relações sociais, no aprendizado, com os familiares próximos e dentro de casa.

Como fazer com que a criança desabafe e conte o motivo do medo?

“Dependendo da faixa etária as crianças ainda não conseguem se expressar pela fala, mas conseguem através do lúdico e da brincadeira. É importante observar se elas conseguem colocar os sentimentos para fora de outras maneiras. Com os pré-adolescentes é mais simples: deve-se promover um canal de comunicação entre os pais e a escola para que o jovem consiga se abrir e saber que, ao pedir ajuda, será acolhido e não julgado”, finaliza a neuropsicóloga.

Caso o problema persista, é recomendado procurar um terapeuta?

Dra. Deborah ressalta que há diferenças entre casos de medo e fobia: “No caso do medo, a criança pode superar com algumas condutas pontuais e que passem segurança. Já um quadro de fobia é algo que persiste e passa dos limites, por isso é preciso um trabalho multidisciplinar e um diagnóstico com um médico psiquiatra, que pode encaminhar seu filho para a terapia e, se necessário, indicar medicações. Tudo deve ser feito em conjunto com a escola, família e pediatra para que o tratamento seja positivo”.