O preconceito contra determinados grupos é um tema cada vez mais discutido hoje em dia. Uma das formas de discriminação ainda presente na sociedade é a transfobia, intolerância em relação a transexuais e transgêneros. O fato é que, quando o assunto são as questões de gênero, ainda há muito para avançar.

Em um cenário mundial, o Brasil é o local que apresenta mais casos de assassinatos de travestis e transexuais. Os números assustam: a Agência Brasil divulgou que foram registradas 604 mortes no país entre janeiro de 2008 e março de 2014. Os dados são resultado de uma pesquisa da organização não governamental (ONG) europeia Transgender Europe (TGEU).

transfobia-doutissima-istock-getty-images
Intolerância em relação a transexuais e transgêneros ainda é latente na sociedade. Foto: iStock, Getty Images

Entenda o que é trasfobia

A transfobia é caracterizada pelos sentimentos de medo, temor, rechaço e negação, explicam os psicólogos Adriana Zanonato e Luiz Carlos Prado. De acordo com eles, as pessoas que cometem a discriminação têm grandes preconceitos contra os “transgêneres” – para eles, essa é a denominação adequada, já que se trata de uma questão de gênero, e não de sexo.

Os psicólogos explicam que, por serem diferentes, os transexuais e transgêneros despertam sentimentos contraditórios nas pessoas, que com frequência levam ao rechaço e a posturas desrespeitosas, agressivas ou violentas.

Segundo Adriana e Prado, quem pratica o preconceito tem dificuldade de compreender que um indivíduo pode nascer no corpo de uma pessoa de um gênero diferente do que ele percebe e vivencia como seu. Afinal, é possível que um menino nasça no corpo de uma menina e vice-versa. 

 

De acordo com os psicólogos, é preciso não cair no equívoco de considerar a questão como opção ou escolha: trata-se de condições naturais de seres humanos.

Consequências do preconceito

Não há dúvidas de que o preconceito traz consequências tanto para quem sofre quanto para quem causa. Adriana e Prado, também autores do livro A menina aprisionada, afirmam que os transexuais e transgêneros sofrem com a discriminação e até mesmo com atitudes agressivas e violentas que vivenciam na família e na sociedade.

Os psicólogos acrescentam que, com frequência, eles crescem com fortes lesões na autoestima, além de terem maior tendência à depressão e a pensamentos suicidas. Segundo eles, muitas vezes essas pessoas se perguntam se a vida vale a pena diante de tantas dificuldades.

Aí entra a importância dos movimentos sociais que almejam a aceitação desse grupo presente na sociedade e que dão força para quem se encontra nessa condição.

 

Mas não pense que os alvos da transfobia são os únicos que sofrem. Quem causa a discriminação também vivencia as consequências. Os psicólogos explicam que os transfóbicos carregam inúmeros preconceitos, que abrangem outras áreas da vida. Segundo eles, são indivíduos rígidos, com maior dificuldade de compreender as complexidades do ser humano e as diversidades.

Adriana e Prado consideram que a maior consequência para essas pessoas seja o empobrecimento, pois elas passam pela vida se chocando com a diversidade humana e, assim, perdendo a chance de vivenciar a riqueza que a pluralidade proporciona.

Como combater a discriminação

O combate à transfobia é o primeiro passo para eliminar a discriminação e aceitar a diversidade presente na sociedade. Segundo os psicólogos, o preconceito é uma limitação que invalida os indivíduos discriminados, afastando as pessoas e criando divisões desnecessárias. Por isso, eles mencionam algumas dicas para quem quer ajudar na causa.

– Aproveite todas as oportunidades para esclarecer e conscientizar outras pessoas sobre as questões de gênero. Escolas, palestras, conversas informais e mídia são espaços para fazer isso.

Busque esclarecimento sobre a condição dos transexuais e transgêneros, já que o ser humano teme mais o que desconhece.

– Procure conhecer histórias de transexuais e transgêneros.

– Divulgue a questão para ajudar as pessoas a conhecê-la e, assim, diminuir o medo em relação ao assunto.

 

Gostou do artigo? Qual é a sua opinião sobre ele? Venha compartilhar suas experiências e tirar suas dúvidas no Fórum de Discussão DoutíssimaClique aqui para se cadastrar! 


DEIXE UMA RESPOSTA