A animação Divertida Mente, criada pelo estúdio Pixar, é uma sugestão de filme para pais e filhos curtirem juntos no cinema, durante as férias escolares. Já em cartaz, a produção, que foi aclamada no Festival de Cannes, conta a história de Riley, uma menina de 11 anos que lida com mudanças repentinas em sua vida.

A parte interessante é a forma como as emoções dela são apresentadas em Divertida Mente: cada sentimento é interpretado por um personagem. Assim, temos a Tristeza, a Alegria e o Medo como alguns dos protagonistas. Por isso, além de contar uma história, o filme traz um olhar sobre a forma como o ser humano lida com o seu lado emocional.  

“O filme é muito inteligente. A linguagem pode até ser infantil, mas a temática sobre como lidamos com as adversidades da vida é interessante para os adultos”, enfatiza Aurélio Melo, psicólogo e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Divertida Mente
Filme Divertida Mente analisa como os seres humanos lidam com suas emoções. Foto: Disney, Divulgação

 

Divertida Mente apresenta relação com a tristeza

Segundo Aurélio, uma das principais abordagens de Divertida Mente se refere ao sentimento de tristeza. “No início, a Tristeza é apresentada como vilã. Mas, posteriormente, é possível perceber como ela é um personagem importante dentro do contexto”, explana ele.

Em outras palavras, pode-se dizer que compreender a tristeza e aprender a lidar com ela é parte do processo de desenvolvimento humano.

“A tristeza é um sentimento real, que não podemos negar. Por isso, a alternativa é aprender como reagir diante dele. Não podemos simplesmente ignorá-lo, pois os sinais começam a aparecer de qualquer forma, seja no corpo ou na personalidade”, assegura o psicólogo.

“Podemos até tentar adiar ou suprimir, mas não podemos relevar a tristeza. Nas últimas décadas, começou um movimento obsessivo e persistente em busca da felicidade. Surgiu a ideia de que temos que ser felizes sempre. Mas essa busca incansável, por si só, já é causa da tristeza. Por isso, gosto de dizer que a felicidade nos visita”, sublinha Aurélio.

Em complemento ao raciocínio, o professor reflete sobre a posição depressiva, um conceito apresentado pela psicanalista Melanie Klein, para designar uma fase do desenvolvimento infantil. “A expressão não se refere a um adoecimento, mas sim à relação que a criança cria com os objetos. Inicialmente, ela os classifica apenas como ‘bom’ ou ‘mau’, mas, depois, aprende a integrar essas duas partes no mesmo objeto’”, comenta.

De acordo com Aurélio, o mesmo processo ocorre em relação aos sentimentos. Ou seja: a partir do crescimento, a criança pode aprender a discernir que a tristeza não precisa ser necessariamente só ruim. “Isso é importante para o desenvolvimento da autonomia”, esclarece ele.

Divertida Mente: pais e filhos podem assistir juntos

Diante de tantas discussões propostas por Divertida Mente, assistir ao filme em família pode ser uma boa alternativa. “Só não recomendo para crianças muito pequenas”, adverte Aurélio. Fora isso, a animação traz boas lições para pais e fílhos.

“No filme, a menina vai se desligando de tudo o que é importante para ela, por conta de uma mudança. Pela negação da tristeza, ela acaba fazendo um ‘papel’ de alegre, mas aos poucos vai se esvaziando por dentro e corre o risco de se afastar emocionalmente dos pais”, observa o psicólogo.

Por isso, a dica é olhar Divertida Mente em conjunto. “Penso que o melhor seria a família assistir e depois conversar abertamente sobre o tema, sem que os pais influenciem a opinião dos filhos”, orienta Aurélio. Assim, todos podem refletir sobre a forma como lidar com os sentimentos.  

E você, já foi conferir o filme? Conte-nos o que achou nos comentários!

 

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