Fraqueza muscular generalizada que, em casos graves, provoca paralisia inclusive da musculatura respiratória. Esse é o principal sintoma da síndrome de Guillain-Barré (SGB), doença neurológica rara que tem origem autoimune e, dependendo do nível de agressividade, pode levar à morte. Em média, uma pessoa a cada 100 mil habitantes é atingida.

Entenda a síndrome de Guillain-Barré

A síndrome afeta o sistema nervoso periférico e causa fraqueza muscular, inicialmente acometendo as pernas e progredindo em direção aos membros superiores, tronco e face. Em níveis avançados, a doença pode provocar paralisia total e até mesmo prejudicar as vias respiratórias – ocasionando falta de ar. A taxa de mortalidade é de cerca de 5%.

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Pesquisa brasileira apontou possível relação entre SGB e o zika vírus, mas ainda não há comprovação. Foto: Shutterstock

Outros sintomas incluem taquicardia, dores nos membros, hipertensão ou hipotensão, retenção urinária ou constipação intestinal e arritmias cardíacas. A doença pode ser resultado tanto de processos infecciosos por vírus e bactérias quanto não infecciosos.

Ela ocorre quando o organismo produz anticorpos de forma inoportuna. Eles causam um processo inflamatório que afeta a bainha de mielina – substância que permite que os estímulos elétricos da célula nervosa cheguem rapidamente à parte do corpo incentivada. Quando ela é destruída, esses estímulos nervosos não são transmitidos aos músculos, gerando a paralisia.

Para tratar a doença, o paciente é submetido à injeção de imunoglobinas, anticorpos que atacam os autoanticorpos que destroem a bainha de mielina. Além disso, o tratamento inclui o processo de plasmaférese, técnica de transfusão que filtra os autoanticorpos. Pelo fato de a bainha de mielina se regenerar, grande parcela dos indivíduos recupera os movimentos com o tempo.

 

Possível relação da SGB com o zika vírus

Um estudo identificou que sete pessoas com SGB foram infectados pelo zika vírus antes de desenvolver a síndrome. Feito pelo pesquisador Carlos Brito, o levantamento associa o vírus como o agente desencadear da doença neurológica nos casos observados.

Em comunicado, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Pernambuco esclareceu que não participou dessa pesquisa. A informação equivocada chegou a ser divulgada em veículos de comunicação. 

 

O número de casos de SGB em Pernambuco aumentou. Conforme a Secretaria de Saúde, o Estado registrou 130 ocorrências da doença, em comparação com nove em 2014. Brito disse que o crescimento do índice de SGB ocorreu depois de um pico de casos de zika na região.

Anteriormente, a possível relação entre o zika e o SGB já havia sido apontada na Polinésia Francesa, onde houve aumento do índice de quadros neurológicos depois de um surto de zika no local.

O Ministério da Saúde menciona que uma possível correlação entre o zika e o SGB foi observada em locais com dengue, mas salienta que não foi confirmada. O órgão também deixa claro que, apesar do fato de que as manifestações na maioria dos pacientes com a síndrome estão ligadas a infecções, não significa que sejam provenientes da dengue, zika ou chikungunya.

Microcefalia no Brasil

Há também suspeita de que o zika vírus tenha relação com a grande incidência de casos de microcefalia no Nordeste brasileiro. Embora essa possibilidade esteja sendo investigada, o Ministério da Saúde frisa que os dados atuais não permitem que a infecção pelo zika vírus seja comprovada como a causa da microcefalia.

De acordo com o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado na teça-feira (24), 739 casos suspeitos de microcefalia foram notificados em nove Estados brasileiros. Pernambuco aparece com a maior incidência, somando 487 casos.

 

 

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