A Síndrome Dolorosa Complexa Regional é um dos quadros dolorosos mais angustiantes para o paciente. Ela foi descrita pela primeira vez pelo médico americano Silas Weir Mitchell, ainda durante a Guerra de Secessão.

Antigamente conhecida como Distrofia Simpático-Reflexa, caracteriza-se pelo desenvolvimento de dores intensas após algum trauma em membros superiores ou inferiores, a exemplo de fraturas, torções ou cirurgias.

A dor que o paciente desenvolve é muita mais intensa e duradoura do que aquele trauma seria capaz de causar e está associada aos seguintes sintomas no membro afetado:

  • Alteração da temperatura
  • Mudança da coloração
  • Inchaço
  • Alodínea (o simples toque no membro causa dor)
  • Variação do padrão do suor
  • Limitação da mobilidade do membro

Um estudo publicado na Pain Medicine, uma das principais revistas médicas sobre dor no mundo, reviu todas as informações disponíveis na literatura científica atual e as compilou em um artigo.

Sobre o diagnóstico

O diagnóstico da síndrome dolorosa complexa regional é fundamentalmente clínico. Ou seja, não há um exame de laboratório ou de imagem que detecte a doença. O médico deve, através dos sintomas citados anteriormente, fazer a identificação.  

O fato de não aparecer em exames gera, muitas vezes, desconfiança do diagnóstico pelo paciente, familiares e até para médicos não especialistas no assunto.

Síndrome Dolorosa Complexa Regional
Síndrome Dolorosa Complexa Regional causa grande angústia para o paciente. Foto: iStock, Getty Images

Sobre o tratamento

É fundamental que o tratamento seja estabelecido o mais rápido possível. É sabido que quanto mais longo for o quadro doloroso, maior a dificuldade em tratá-lo. A abordagem devem ser, obrigatoriamente, multidisciplinar. Medicamentos específicos, como alguns anticonvulsivantes e analgésicos potentes, devem ser utilizados.

A fisioterapia e a psicoterapia também são essenciais para um bom resultado terapêutico. Na maioria dos casos, procedimentos minimamente invasivos poderão diminuir o quadro de dor do paciente. É muito importante ressaltar que o tratamento deve ser realizado por uma equipe altamente capacitada, por ser tratar de uma doença de difícil controle.

 

Atualmente, temos à disposição um procedimento denominado Estimulador Medular. Durante o processo, implantamos um fino eletrodo atrás da coluna do paciente e o conectamos a um gerador que fica debaixo da pele, como um marca-passo.

O procedimento ganhou o apelido de marca-passo da coluna. Esse gerador emite continuamente fracos e controlados impulsos elétricos para a medula, inibindo a transmissão da dor.  O procedimento é realizado sob sedação (não é necessária a anestesia geral) e o eletrodo é implantado na coluna sem cirurgia. Apenas um pequeno corte na pele é realizado.

No último congresso Mundial de Dor, ocorrido em maio deste ano em Nova Iorque, foram apresentadas as últimas tecnologias da estimulação medular e os estudos realizados são animadores. Essas novas tecnologias foram recentemente aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e estarão desembarcando no Brasil nos próximos meses, prometendo revolucionar o tratamento de dores de difícil controle.

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