Gostar de si mesmo e nutrir um sentimento de estima pelo bem-estar é fundamental para o desenvolvimento. A isso chamamos de amor-próprio. Pode parecer algo natural, mas para algumas pessoas é uma tarefa difícil.

 

Nem sempre amar-se e aceitar-se é algo que flui. E isso pode ter consequências na forma de viver e de se relacionar. A boa notícia é que é possível dar a volta por cima.

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O apreço por si mesmo pode ter relação com o que foi vivenciado na infância. Foto: iStock, Getty Images

“Partindo de que é necessário estar bem consigo mesmo para então fazer o bem, o amor-próprio é o ponto a ser observado, uma vez que há a aceitação e apreço por si mesmo, há equilíbrio emocional que consequentemente irá refletir na melhoria das relações pessoais que influenciam diretamente no contexto social mais amplo”, afirma o psicólogo Lessandro Sassi.

É através do amor-próprio que nos percebemos como indivíduos, nos reconhecemos e nos valorizamos. Mas por que isso pode ser tão complicado e difícil?

Amor-próprio vem do olhar do outro

De acordo com o psicólogo, essa aceitação e valorização é fruto do desenvolvimento humano, assim, nós só nos desenvolvemos a partir do olhar do outro. E as condições favoráveis para o desenvolvimento desse sentimento vêm desde o momento que antecede a gravidez.

“Pois antes de a criança nascer fisicamente, já existe no imaginário dos pais e é através dessa existência simbólica, que antecede a existência física, que os pais começam a manifestar sentimentos de amor pelo filho, que mais tarde irão demonstrar através dos cuidados básicos com o bebê e do acompanhamento durante a infância”, explica Sassi.

É sob o olhar dos pais que a criança irá crescer, conhecer o mundo, estabelecer significados e adquirir a percepção de si mesmo como ser diferente daqueles que o conceberam. Caso esses sentimentos sejam adequados e satisfatórios, a criança irá crescer em um ambiente emocionalmente adequado, que irá proporcionar seu desenvolvimento pleno como pessoa.

Para o psicólogo, não se aceitar pode estar relacionado às dificuldades  desse período. “ São com estas assimilações que todos nós iremos gerar nossas percepções, caso estas noções não tenham sido traduzidas de forma satisfatória no período adequado, podem ser desenvolvidos sentimentos de degradação, baixa autoestima, desvalorização”, completa.

As consequências podem ser sentimento de vazio e insegurança, que podem encobrir grandes talentos ou até mesmo criar uma autopercepção distorcida, que pode interferir nos relacionamentos pessoais, profissionais e amorosos, justamente pela falta desse olhar, desse amor-próprio que deveria dar identidade.

Como conquistar o amor-próprio

Como cada pessoa tem sua história, a forma de lutar pelo amor-próprio pode não ser a mesma para todos. Mas é importante, em primeiro lugar, a pessoa perceber que precisa de auxílio e, na medida do possível, identificar o que a falta dessa ajuda pode provocar a longo prazo em sua vida. Além disso, observe os seguintes pontos:

1. Conquistas

Observe o que já conquistou (amigos, família, trabalho) e entenda a real importância disso tudo.

2. Ajuda

Busque ajuda terapêutica e lute pelo autoconhecimento como forma de construir o seu futuro.

3. Amizade

Conte com amigos, escute os que as pessoas que o amam de verdade têm a lhe dizer e reflita sobre isso.

De acordo com Sassi, é através de uma rede de apoio mais próxima que a autopercepção começa a ficar mais real e abrem-se os caminhos para a busca por tratamento e ajuda. “Com isso, é possível se conhecer melhor e buscar um profissional qualificado que irá atender essas demandas visando sempre o bem-estar e a saúde do seu paciente”, conclui.

 

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