Quando estamos em tempo de dificuldades, de escassez, de recolhimento e quando esse estresse é muito prolongado ou muito intenso, a depressão bate à nossa porta. E como estamos? Estamos preparados ? Quais recursos temos para reagir ? Para compreender estas questões, é necessário entender como a mente e o corpo se comunicam. 

 

A perda do gosto pela vida, a incapacidade de saborear a vida, prova disso, é a perda de apetite tão comum, nem aquela comidinha que amamos e que nos dava tanto prazer, já não nos anima mais Este estresse gera também a irritabilidade, a ansiedade que acaba agindo sobre nosso corpo , como por exemplo em forma de dores ou doenças.

 

A comunicação entre mente e corpo é imprescindível para entendermos por exemplo a depressão, já que o corpo pode sinalizar que algo não se passa bem no cérebro. Foto: Shutterstock.

 

 

Foi detectado no cérebro dos pacientes com depressão níveis diminuídos de serotonina e ou aumentados de enzima monoamino-oxidase em algumas regiões cerebrais como cortex pré-frontal, hipocampo e amígadala cerebral (Sistema Límbico). A serotonina é a molecula da felicidade, da sensação de bem estar. Muitos medicamentos atuam nesta via, impedindo sua recaptação na fenda, e dessa forma, a serotonina age por mais tempo.

 

Equilíbrio entre mente e corpo 

 

Em alguns casos de depressão, a medicação contra a doença deve ser administrada por um determinado tempo, sempre com o acompanhamento de um especialista. Afinal, quando estamos muito fragilizados, precisamos de auxílio, de um “empurrãozinho” que nos ajude a levantar e seguir em frente. Porém, é necessário que o paciente . A medicação auxilia, mas ela por si só não é a salvação de todos os males.

 

 Vamos à pergunta: Qual a informação e qual o comando você está dando para seu cérebro hoje ? Busquemos a causa da alteração bioquímica e isso, só nosso eu mais íntimo sabe a resposta. Mas um profissional da área também pode nos ajudar. 

 

 

mente e corpo
A procura de um profissional pode ser imprescindível no diagnóstico e tratamento da depressão. A partir deste, mente e corpo podem manter-se equilibrados. Foto: Shutterstock.

 

Com o avanço da neurociência, podemos compreender esse transtorno sob um outro ângulo. Sei que muitos não vão acreditar e aceitar e dizer : “Não sou eu a responsável, não quero ter depressão. É culpa da genética, do cérebro, da molécula, da situação, do outro, a culpa é das estrelas, não minha!”. Pode ser, e não tenho a pretensão de mudar sua crença, pois esta acredito eu, que a única pessoa capaz de mudá-la é você. E cada um tem seu ritmo.

 

Nosso cérebro assim como o universo está em construção. E já é comprovado pela ciência que não somos vítimas dos nossos genes e de nossa fisiologia (como acreditávamos). Somos nós que informamos aos nossos genes-órgãos a maneira como eles devem trabalhar. Criamos a sequência de informações e disparamos sinais (moléculas, neuropeptídeos, hormônios) para o corpo/mente trabalharem o tempo todo, da forma como bem queremos.

 

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Nosso cérebro está sempre em construção e somos nós quem damos os comandos a nossa mente e corpo. Foto: Shutterstock.

 

E é essa informação que vai gerar uma emoção específica (positiva ou negativa), aquela que enviamos ao nosso cérebro. Este grava bem esse comando e vai enviar exatamente a mesma mensagem ao corpo. Ambos trabalham em harmonia. E mais, o poder do hábito estende também para as reações biológicas, ou seja, você vai se condicionar a agir sempre assim, exceto se estivermos dispostos a ter trabalho para fazer algo diferente.

 

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O estímulo à criação é muito importante no processo para que mente e corpo trabalhem juntos e em harmonia. Foto: Istock.

 

 

“Cada célula humana contém 1 milhão de receptores para receber estas substâncias químicas. Assim, quando estamos tristes, nosso fígado está triste, nossa pele está triste¨ Susan AndrewsE você pode me perguntar ? Mas, como fazer para agir diferente ?

 

Precisamos fortalecer nosso lobo frontal, o grande CEO do cérebro. É ele responsável pelo pensamento consciente e tomada de decisões, ou seja ação.  Ou seja, devemos pensar, analisar e observar o que estamos sentindo, pensar em qual é a mensagem enviada pelo nosso corpo.

 

Novos pensamentos no combate à depressão 

 

A sugestão é criemos! Criemos novos pensamentos, sentimentos, emoções,  formas de comunicação, ou seja uma nova programação entre nosso cérebro e nosso corpo, onde ambos possam falar a mesma língua. Difícil ?! Sim ! Ninguém disse que seria fácil, falou ? Ninguém nunca disse que seria tão difícil. Veio em minha lembrança agora, a música The Scientist-Cold Play, que por sinal foi a primeira música que aprendi a tocar no piano.

 

Sim, o corpo fala e grita conosco o tempo todo. Mas nós, temos a mania de ignorá-lo ou subestimá-lo. Tendemos a querer apenas usá-lo da forma como bem entendemos, não é mesmo ?! Tipo, se vira, você precisar aguentar e dar conta. Eu preciso e pronto ! Qual a informação e qual o comando você está dando para seu cérebro hoje ?

 

 

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Fortalecer o cérebro com pensamentos, análises, podem nos auxiliam na tomada de decisões, por exemplo e são importantes no equilíbrio entre mente e corpo. Foto: Shutterstock.

 

 

O contexto sociocultural também interfere na expressão de nossas emoções. Ele inibe que manifestemos nossas emoções, pois as interpretam como fraquezas. O sistema nervoso parasimpático (embora ativado) é bloqueado. Essa falha na comunicação provoca um desequilíbrio neurovegetativo interno desencadeando doenças. A impossibilidade de manifestar as emoções verdadeiras resulta numa auto-agressão que reflete no corpo (doenças) para nos lembrar que precisamos resolver essa questão, pois o corpo não está entendendo como proceder mais.

 

O importante é querer ser ajudado. Temos muitos recursos, técnicas e profissionais competentes de diversas áreas dispostos a ajudá-lo. Procure ajuda !Sim, você tem outra opção sim. Continuar com aquela pílula milgrosa para o resto de sua vida (falarei dos efeitos colaterais a longo prazo desses medicamentos em outro texto)  A vida é feita de escolhas e a decisão está em suas mãos !

 

Dra Anaflávia Oliveira é Médica e Tricologista pela International of Association of Trichologists – IAT e Profa. de Pós Graduação em Tricologia pela Academia Brasileira de Tricologia (ABT). Participa constantemente de congressos e cursos da na área de Dermatologia, Tricologia e Medicina Preventiva. Atende em seu consultório localizado no bairro de Moema, São Paulo.

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