Não é novidade que a vida das pessoas é aparentemente perfeita nas redes sociais. Afinal, as postagens na internet são geralmente sobre momentos bons de cada um. Mas até que ponto essa felicidade instantânea transmitida no ambiente virtual é verdadeira? O fato é que existe diferença entre a realidade e o mundo digital.

Foi esse sentimento que levou a australiana Essena O’Neill, que conquistou milhares de seguidores nas redes sociais, a fazer um alerta em relação à felicidade instantânea na internet. Para isso, a jovem deletou mais de 2 mil fotos de seu perfil no Instagram e ainda editou as legendas das restantes, opinando sobre o uso das redes.

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Celebridades e pessoas influentes transmitem a imagem da perfeição nas redes sociais. Foto: iStock, Getty Images

No perfil, colocou a frase “Social media is not real life” (mídia social não é vida real, em inglês), enquanto nas fotos, comentários sobre o dia a dia virtual: era paga pelas marcas para mostrar as roupas, passava tempo se arrumando para tirar bons cliques, fazia inúmeras fotografias e tratava a que seria publicada, por exemplo.

“Os meios de comunicação tendem a ditar padrões de comportamento e de pensamento, a fim de atingir padrões de consumo específicos. Na internet, isso não é diferente: a “felicidade” imposta pela sociedade envolve o consumo de bens que prometem a conquista da beleza eterna, da plenitude”, afirma Rogério Oliveira, vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP).

Felicidade instantânea ditada nas redes sociais

Nas redes sociais, celebridades e pessoas influentes transmitem a felicidade instantânea e a imagem da perfeição, mostrando apenas o melhor lado de suas vidas.

De acordo com o Oliveira, apesar de a internet aumentar o número de propagadores de opinião, os formadores ainda são muito poucos, além de serem pautados pelos padrões imagéticos e significantes de sempre. “Acredito que o problema não esteja nas redes em si, mas na forma como o consumo e a estandardização de padrões estão incrustados na sociedade”, opina.

O psicólogo explica que os famosos também acabam absorvendo essa lógica. “Postar acontecimentos particulares reflete, na maior parte das vezes, a necessidade de autoafirmação e reconhecimento por parte de seu grupo social”, esclarece o psicólogo.

Vida real X vida virtual

Com o uso constante das redes sociais, há quem faça comparações entre a vida de pessoas influentes e o próprio dia a dia. O resultado disso pode ser frustração, já que, na maioria das vezes, as pessoas com grande número de seguidores fazem só postagens positivas.

Diante disso, como lidar com as redes sociais e entender a diferença entre vida real e virtual? Para Oliveira, a resposta está na necessidade de desconstruir os mitos na internet, assim como em relação às novelas e filmes.

“A ausência de sofrimento não é uma realidade na vida de ninguém e notícias sobre problemas emocionais, psicológicos e físicos de celebridades não faltam. É preciso viver mais a novela da vida real’, alerta o psicólogo.

Para não se deixar influenciar negativamente pelo que circula nas redes sociais, a dica de Oliveira é, em primeiro lugar, buscar se cercar de informações e fontes de confiança.

Ódio nas redes sociais

Atualmente, é possível perceber que pessoas influentes com milhares de seguidores enfrentam inúmeros comentários negativos – inclusive agressivos – em seus perfis. Todos os dias, são bombardeadas pelos “haters”, termo utilizado para quem difunde críticas e discursos de ódio na internet apenas sem critérios.

Segundo Oliveira, os “haters” sempre existiram, a diferença é que hoje eles chegam mais perto de seus objetos de ódio sem nenhum tipo de interlocução próxima ou pelo fato de isso não trazer punições aparentes, já que ainda se busca consolidar uma legislação para a internet. “Isso deixa as pessoas mais seguras e destravadas, sem as chamadas máscaras sociais”, aponta.

 

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