O surto de doenças relacionadas ao mosquito Aedes aegypti chocou o Brasil no início deste ano. Mas talvez o que tenha proporcionado mais temor à população foi a relação do zika vírus com a microcefalia, uma condição neurológica rara em que a cabeça dos recém-nascidos é muito pequena, igual ou inferior a 31,9 centímetros.

Dados do Ministério da Saúde apontam que, entre outubro de 2015 e o início de junho de 2016, foram confirmados 1.551 casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso no país, sugestivos de infecção congênita.

Microcefalia
Microcefalia compromete o desenvolvimento mental. Foto: iStock, Getty Images

Zika vírus x microcefalia

O número de casos de bebês com microcefalia aumentou expressivamente com o surto de zika vírus, o que levantou suspeitas acerca de uma possível relação entre ambos. Desde então, uma série de pesquisas vêm sendo realizadas com o objetivo de atestar essa ligação.

O Ministério da Saúde reconhece que a maioria das mães que tiveram bebês com diagnóstico de microcefalia estavam infectadas pelo zika. Nos Estados Unidos, uma revisão de estudos publicada no periódico científico The New England Journal of Medicine atesta que há evidências suficientes de que o vírus pode comprometer o desenvolvimento cerebral de fetos.

Os médicos acreditam também que a contração do zika por grávidas pode causar outros problemas de má-formação em bebês, além de ser um fator de risco para abortamentos. O que não se sabe ainda é a forma exata como o vírus exerce seu efeito patogênico sobre o organismo.

Diante de tantos questionamentos, a recomendação é que as grávidas redobrem os cuidados relacionados à prevenção do zika vírus. Para isso, as principais indicações são eliminar criadouros do mosquito – não deixar água parada em recipientes – e se proteger da exposição a ele: usar repelentes e roupas compridas e colocar telas nas janelas.

Complicações relacionadas à microcefalia

Por ser uma condição que influencia sobre o desenvolvimento do cérebro das crianças, a microcefalia apresenta uma série de complicações. A gravidade do quadro, porém, depende muito de cada caso em particular, de quanto a região cerebral se desenvolveu e de quais são as partes mais comprometidas.

Na maioria dos casos de microcefalia, atraso mental, déficit intelectual, paralisia, convulsões, epilepsia, autismo e rigidez dos músculos são alguns dos problemas associados. Na pior das hipóteses, a criança portadora da condição poderá precisar de cuidados especiais pelo resto da vida, uma vez que ela não tem cura.

Apesar de não haver uma forma de reverter o quadro, já que se trata de um problema que ocorre durante a formação do fetohá formas de tratar a doença com o objetivo de melhorar a qualidade de vida da criança. A fisioterapia é indicada para ajudar no desenvolvimento físico e mental.

Além disso, o uso de medicamentos pode ser aliado para auxiliar no dia a dia da criança, diminuindo espasmos musculares, atenuando a tensão dos músculos e melhorando outros sintomas. A microcefalia não é uma sentença: com apoio de uma equipe multidisciplinar, é possível garantir o bem-estar do paciente.

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