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Filhos

Educar as crianças: com ou sem castigos físicos?

Por Rafaela Monteiro 01/10/2013

Nossa sociedade admite que se apliquem castigos físicos em crianças. Quando se está no lugar de autoridade diante delas, seja pai, mãe, avós, ou outros, pode-se bater, com a desculpa de que se está colocando limites e educando. Com isso, a maioria de nós apanhou quando criança. E isso não causa muito estranhamento, pelo contrário, se perguntarmos quem nunca apanhou por conta de uma travessura na infância imagino que poucos vão levantar a mão. O fato é que quase nunca paramos para pensar na raiz de tudo isso. E também poucos sabem que em outras sociedades isso não existe e crianças são educadas sem castigos físicos.

 

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Foto: Shutterstock

 

Mas… é possível educar sem bater?

 

Ao contrário do que muitos dizem, que sem as “inocentes” palmadinhas não há educação, arrisco dizer que há sim, que pode haver, muita educação. Limites podem ser definidos sem aplicação da força física, existem crianças que são educadas sem castigos físicos, em outras sociedades isso não se coloca, não se bate, não se pode bater.

Existem outras possibilidades de colocar limites e educar, pode-se começar por avaliar a relação pais e filhos de um modo geral, e o efeito/produto dela. Conhecer e se relacionar com seu filho, entendendo que as crianças são diferentes e que cada uma irá demandar determinada postura, uns mais rigidez, outros nem tanto, é o primeiro passo para educar. Acredito que respeito e relações saudáveis se dão sem a força física, principalmente quando se trata de crianças.

No Brasil, porém, muitos associam educação a castigos físicos, acredita-se que educar significa bater e que limites só poderão ser impostos nas crianças a partir dessa perspectiva. Diante disso fica a pergunta: Será esse discurso é eficaz na prática? Até onde os tapinhas e surras da infância não nos atravessam enquanto seres humanos, não nos ferem, não nos marcam? Não me cabe aqui responder tal questão diante de sua complexidade, mas cabe-me pensar, e quem sabe produzir reflexões.

 

Reflexos de um Brasil colônia escravocrata

 

bater-nos-filhosNa época do Brasil colônia a forma de corrigir, ensinar, os escravos era batendo, aplicando castigos físicos, dando chicotadas. Creio que isso também era uma forma de exercer poder, de mostrar força. Assim pensava-se passar alguma lição ou ensinamento sobre algo que não poderia ter sido feito ou que foi feito de forma dita errada. De certa forma, continua-se batendo para ensinar. Não pensamos em quem somos nós, enquanto adultos, grandes e fortes diante de uma criança pequena que pode facilmente ter seu corpo violado com algumas poucas, ou muitas palmadinhas exercidas com o propósito de aprendizagem. Começamos com os escravos na antiga colonia de Portugal e hoje continuamos, em nosso dia a dia, com quem nos é permitido. No caso, nossas crianças.

Não pretendo afirmar que essa é única raiz dessa prática, mas creio que é algo a ser pensado, pois os índios, que aqui estavam, não usavam de força ou castigos físicos para educar seus filhos.

Imagino que sociedade teríamos se fosse permitido bater em todo mundo que nos irritasse, porque a hipótese que faço é que, na maioria das vezes, o fato de bater em nossas crianças tem muito mais a ver com o estresse e falta de paciência e tempo — que a correria do trabalho e do cotidiano impõem — assim como com as dificuldades e despreparo dos adultos ao lidar com as demandas infantis, do que com qualquer tentativa de pedagogia.

 

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