Gravidez e Filhos

Hipertireoidismo gestacional: saiba como prevenir e tratar

Por Redação Doutíssima 05/04/2015

Cerca de 0,1 a 0,4% das gestações são complicadas pelo hipertireoidismo gestacional. A maior parte dos casos ocorre por causa da Doença de Graves (DG), uma doença autoimune que leva a uma anomalia no funcionamento da tireoide. Outras causas, próprias da gravidez, podem também levar ao excesso de hormônios circulantes.

 

Dependendo da disfunção, pode durar de branda e transitória a grave e duradoura. A DG, por exemplo, apesar de levar a uma tireotoxicose mais intensa, pode melhorar progressivamente ao longo da gestação, por conta de uma maior tolerância imunológica.

hipertireoidismo gestacional

Tratamento para engravidar pode causar disfunção na tireoide durante a gestação. Foto: iStock, Getty Images

Casos de hipertireoidismo gestacional

Conforme estudos feitos pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, várias complicações maternas e fetais já foram observadas, nos casos em que hipertireoidismo gestacional não regrediu com a evolução da gestação, comprometendo, particularmente, o segundo e terceiro trimestres

Entre essas complicações, os pesquisadores apontaram maiores incidências de eclampsia (convulsões na gestante), insuficiência cardíaca congestiva, edema agudo de pulmão, arritmias cardíacas e crise tireotóxica.

Além disso, também foram relatadas maiores taxas de abortamento, natimortalidade, prematuridade, baixo peso ao nascer e  problemas na formação do feto.

Se não há, entretanto, complicações ao longo da gravidez e há o controle do hipertireoidismo gestacional, a doença não traz riscos ao bebê.

Uma das causas mais comuns para o desenvolvimento do hipertireoidismo gestacional é a realização do tratamento para engravidar, uma vez que, durante o procedimento, a mulher toma hormônios para estimular a ovulação e isso pode desencadear alterações na glândula da tireoide.

 

Diagnóstico para hipertireoidismo gestacional

A prevenção das complicações depende do diagnóstico precoce  do hipertireoidismo gestacional e tratamento, que visa para manter os níveis de tiroxina livre no limite superior da normalidade, buscando-se o eutireoidismo clínico materno, com o uso da menor dose possível de medicação. Isso é imprescindível.

A dificuldade em diagnosticar a patologia se deve pelo fato de o hipertiroidismo gestacional ter sintomas que se confundem com os próprios sintomas da gestação: fadiga, palpitação, ansiedade, sudorese e intolerância ao calor.

Suspeita-se de hipertiroidismo gestacional nas gestantes que não ganham peso ou até emagrecem, apesar de aumento de apetite. E no caso de desconfiar, um exame de sangue é suficiente para confirmar ou não a suspeita.

A mulher pode ter a doença antes de engravidar ou desenvolvê-la durante a gestação ou no período pós parto. No primeiro caso, o hipertiroidismo pré-gestacional pode melhorar ou piorar com a gestação.

 

O mais comum é a manifestação da doença no primeiro trimestre da gravidez, com melhora no período restante e uma nova piora no pós-parto. Mulheres com hipertiroidismo mal controlado apresentam maior dificuldade para engravidar e maior chance de aborto.

Tratamento e alimentação

Tanto na gravidez quanto na lactação, a opção de tratamento para controle do hipertireoidismo gestacional é o propiltiouracil. A menor dose é capaz de deixar os hormônios tireoidianos dentro do normal. Opções como a radioterapia e cirurgia não são aconselhadas, a não ser que essa seja a indicação médica.

 

Também para quem tem hipertireoidismo, um controle alimentar pode auxiliar no tratamento. Existem alimentos conhecidos por inibirem o excesso de produção de tireoide. Entre eles, estão o feijão, couve-flor, vegetais verdes, soja e peixe, especialmente o salmão.

Uma dieta rica em ácidos graxos ômega 3, cálcio e vitamina C também pode ajudar a estabilizar a tireoide.

 

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