Para bebês nascidos prematuramente o método canguru durante algumas horas por dia é capaz de melhorar o desenvolvimento. Uma recente pesquisa sugere que os benefícios desse contato pele a pele podem ser ainda mais duradouros do que se pensava até então. Por isso, vale a pena conhecer essa técnica e aprender a colocá-la em prática.

 

Como desvendar o método canguru 

Esse método nada mais é do que manter o bebê junto ao corpo de um dos pais ou outro cuidador de uma forma especial. Deve-se colocar o bebê na posição vertical contra o peito nu de um adulto, dentro da roupa – daí a razão do nome da técnica. Para isso, o pequeno deve vestir apenas uma fralda e um pedaço de pano para cobrir suas costas.

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Método canguru nada mais é do que manter o bebê sem roupinha junto ao corpo dos pais. Foto: Shutterstock

Segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS) cerca de 20 milhões de bebês nascem com baixo peso a cada ano devido a nascimento prematuro ou crescimento pré-natal deficiente, principalmente em países menos desenvolvidos. Isso contribui para a elevada taxa de mortalidade neonatal.

 

O método surgiu como uma resposta à elevada taxa de mortalidade em recém-nascidos prematuros vista em Bogotá, na Colômbia, no final de 1970. Lá, a taxa de mortalidade para recém-nascidos prematuros era de 70%. Os bebês estavam morrendo de infecções, problemas respiratórios ou simplesmente devido à falta de atenção.

 

A partir daí pesquisadores da Universidade Nacional da Colômbia descobriram que bebês que ficavam em contato com o corpo de suas mães não apenas sobreviviam, mas também tinham avanços em seu desenvolvimento. Atualmente, o método é conhecido em todas as unidades neonatais no mundo.

 

Dependendo da condição do bebê, é possível começar a técnica logo após o parto. Mesmo bebês muito pequenos com grandes problemas de saúde podem se beneficiar de sessões curtas.

 

Depois que o pequeno estiver estabilizado, as sessões devem ser de pelo menos uma hora. Para verificar a eficácia e a possibilidade do método canguru para seu caso, é importante seguir à risca os conselhos do médico.

 

Método pode ter benefícios duradouros 

Muitos estudos já foram publicados sobre o assunto e nenhum deles encontrou qualquer efeito nocivo no método canguru. Não é por outra razão que diversos organismos internacionais, como a OMS e a UNICEF, e institutos de saúde ao redor do mundo o recomendam.

 

De acordo com um estudo publicado na Neonatal Network, em 1998, bebês com desconforto respiratório submetidos a posição do método canguru obtiveram alívio em 48 horas sem o uso de respiradores. Além disso, os pesquisadores concluíram que as taxas de frequência cardíaca dessas crianças eram mais regulares que a das demais.

 

Uma outra pesquisa publicada nos anais da Associação Espanhola de Pediatria revela ainda que crianças que ficam em contato com a pele das mães por mais de 50 minutos possuem oito vezes mais probabilidades de amamentação espontânea. Os estudiosos indicam ainda que esse contato aumenta a descida do leite.

 

No entanto, a novidade é um estudo publicado na revista Biological Psychiatry que acompanhou crianças submetidas ao método até os 10 anos de idade. Para realizá-la, os pesquisadores pediram a 73 mães que dessem a seus bebês o contato pele a pele durante uma hora diária por duas semanas – comparando-os com 73 recém-nascidos prematuros que passaram só algum tempo em uma incubadora.

 

De acordo com os resultados, aos 10 anos de idade as crianças que receberam o contato materno apresentavam melhores sono, resposta hormonal ao estresse e um funcionamento mais maduro do sistema nervoso, exibindo ainda maiores habilidades de pensamento. Em outras palavras, os benefícios desse método são bem mais duradouros do que se pensava anteriormente.

 

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