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Estresse interfere na fertilidade da mulher, revela estudo

Por Francine Costanti 06/03/2019

Um estudo recente da Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston (EUA) revelou que o estresse age fisiologicamente interferindo na liberação de hormônios importantes para o sistema reprodutivo da mulher. Portanto, se engravidar estiver nos seus planos, você precisa ficar atenta não só à sua saúde física, mas também à mental.

De acordo com a pesquisa, altos níveis de estresse podem influenciar na fertilidade e fazer com que o processo de conceber um bebê seja mais demorado. Foram acompanhadas 4.769 mulheres, entre 21 e 45 anos, e 1.272 homens, acima de 21. Os participantes não tinham histórico de infertilidade e estavam tentando conceber por mais de seis ciclos menstruais.

Com a investigação foi possível ver que, quanto maior a pontuação de estresse apontada pela mulher, menor era fecundabilidade do casal. O estudo revelou que o estresse interfere na liberação do hormônio luteinizante (LH), considerado gatilho para a ovulação.

infertilidade e acupuntura

Altos níveis de estresse podem fazer com que o processo de conceber um bebê seja mais demorado. Foto: Sutterstock

Para nos ajudar a tirar as dúvidas sobre o assunto, consultamos o Dr. Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista e obstetra, membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein.

Principais causas de estresse durante a gravidez

De acordo com o especialista, as causas do estresse na gravidez dependem muito se a mãe é de primeira viagem ou não. “Em uma primeira gravidez existe um estresse relacionado a incertezas pelo não conhecimento do que é passar por essa experiência. Há dúvidas a respeito da capacidade de ser uma boa mãe e educar adequadamente o filho, relacionadas ao momento do parto e ainda o estresse ligado às conversas com as amigas e outras pessoas por conta do policiamento que existe atualmente em cima das gestantes”, explica.

Uma orientação do Dr. Nogueira para aqueles que convivem com uma mulher grávida é tomar o cuidado de não ser uma pessoa controladora em relação a como ela deve se cuidar, cuidar do filho e lidar com a gravidez. “Por sua vez, é muito importante que a gestante entenda que cada pessoa é única nas suas experiências de vida, na sua educação familiar e nos seus valores”.

Por outro lado, as gestantes que já são mães podem sofrer com preocupações relacionadas ao novo bebê: como os outros filhos irão reagir à chegada do irmão e como conciliar as necessidades do recém-nascido com as do restante da família, por exemplo.

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Outros fatores de estresse na rotina

Existe uma tendência de a gestante se sobrecarregar com o trabalho, já que irá se ausentar durante o período da licença. Além disso, o médico lembra que muitas vezes o ambiente de trabalho não é adequado para as necessidades da grávida: pode não haver um banheiro por perto, facilidade de acesso à água, ambientes com ar condicionado muito frio ou calor extremo, cadeiras e mesas impróprias, entre outros problemas.

“Em relação ao ambiente familiar, também existe uma mudança na rotina e na relação entre o casal. O que antes seriam pequenas questões pode se tornar algo maior por conta das mudanças hormonais e pelas questões relacionadas às transformações do corpo e todos os outros fatores de estresse já citados. É muito importante que os maridos compreendam esse momento das mulheres e sejam solidários com elas para manter a harmonia”, completa.

Como evitar o estresse durante a gravidez

Algumas coisas não podem ser evitadas, mas as questões relacionadas ao trabalho e à vida pessoal podem ser modificadas por meio de conversa e entendimento. “Além disso, atividade física, meditação e algum tipo de apoio emocional ajudam a combater o estresse e a aliviar as dificuldades do dia a dia. Atividades de lazer e uma boa relação de confiança entre médico e paciente também ajudam muito”, orienta o obstetra.

Por fim, a alimentação pode ser outro fator de grande ajuda. “Opte por um cardápio rico em produtos naturais com baixa quantidade de sal, carboidratos e açúcares. Isso ajuda a melhorar a percepção corporal e diminuir a ansiedade. Diminuir ao máximo a ingestão de cafeína também contribui para diminuir a agressividade e irritação e ainda melhora o sono”, aconselha.


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