No final de maio, um caso de violência infantil, entre tantos no Brasil, gerou grande comoção nas redes sociais. Andressa Freitas de Souza, de 20 anos, de Uruçuí (PI), não só torturou a filha de seis meses, como gravou as cenas e enviou ao pai da criança, que mora no Pará. Ela foi presa e não negou a agressão.

 

Infelizmente, casos de violência infantil fazem parte da realidade de muita famílias brasileiras, alguns resultando em tragédias irreversíveis como os casos Isabela, em São Paulo, e Bernardo, no Rio Grande do Sul.

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Crianças que sofrem violência podem ser afetadas fisicamente e emocionalmente. Foto: iStock, Getty Images

Nos dois exemplos, as crianças foram mortas, vítimas da intolerância justamente de quem deveria protegê-las. Um bom motivo para refletir em 4 de junho, Dia Mundial Contra Agressão Infantil.

Marcas da violência infantil

Dados da Sociedade Internacional de Prevenção ao Abuso e Negligência na Infância dão conta de que, diariamente, 18 mil crianças brasileiras são vítimas de violência.

E, a partir daí, deve-se refletir sobre o fato de que há um grande risco de que a violência infantil forme adultos violentos. “Se a criança é agredida repetidamente, isso pode acabar sendo uma marca que fica registrada nas suas formas de ser e agir”, diz a psicóloga Patricia Spindler.

A agressividade não é a única consequência, de acordo com Patricia. Comportamentos compulsivos e impulsivos, suscetibilidade ao abuso de drogas, tentativas de esquecer ou dissociar inconscientemente os fatos são marcas que podem ser reflexos de situações de violência infantil.

Há quem acredite que quando se fala em violência infantil, a característica se limite à questão física. A psicóloga explica que o conceito é bem mais amplo. Qualquer situação de abuso sexual, moral, psicológico ou exploração sexual contra uma criança, figura como violência.

“Existe também um silêncio que se perpetua neste campo, impedindo que as pessoas rompam com as agressões. Isto dificulta ainda mais o acesso das crianças e adolescentes aos seus direitos”, comenta a especialista. Por isso, ela defende a importância das campanhas e mobilizações públicas para que as pessoas aprendam a romper com esse silêncio.

Violência infantil dentro de casa

Casos de violência contra a criança, muitas vezes, de acordo com Patricia, acontecem dentro de casa. Em geral se tem algum vínculo, não necessariamente sanguíneo. De acordo com dados do Unicef, 80% dos casos de violência contra crianças são provocados por parentes próximos.

“Geralmente são cuidadores homens que fazem algum tipo de abuso de substância como álcool, drogas e que estão sem trabalhar e, por isso, lhes é atribuído esta função de cuidar da criança enquanto outros adultos trabalham. A criança fica refém”, conta Patricia.

 

Segundo ela, esse é um dos tipos de violência mais difíceis de acessar porque, na maioria das vezes, a criança tem medo de expor a situação. Ela se sente culpada e tem medo de desfazer a família, principalmente em casos de exploração ou abuso sexual.

A psicoterapia é um excelente recurso para amparar a criança e construir vias saudáveis de lidar com a agressão. Mas, para isso, os profissionais da área precisam ter um cuidado extra para não voltar a agredir a criança falando exatamente sobre a violência.

O caminho é trabalhar para que as vítimas identifiquem que o que sofreram foi uma violação de seus direitos. “Elas precisam ter consciência disso”, afirma a psicóloga.

 

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