Chegou a hora de dar à luz. Conhecer o bebê, amamentar e pegar o filho no colo pela primeira vez. Nos últimos anos, o parto domiciliar tem sido incentivado com o objetivo de poupar mulheres de intervenções cirúrgicas e de aumentar seu conforto.

Atualmente, de acordo com o Ministério da Saúde, as taxas de cesarianas no Brasil chegam a 84% no sistema privado e a 40% no Sistema Único de Saúde (SUS). Entretanto, o recomendado pela Organização Mundial da Saúde é 15%.

Saiba quando é possível adotar a opção e o que é preciso para que o momento seja o mais seguro possível.

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Parto domiciliar pode ser de três tipos: não planejado, com assistência ou não assistido. Foto: iStock, Getty Images

Características do parto domiciliar

No parto domiciliar, a mulher não é submetida a medicamentos ou anestesias para diminuir a dor, nem induzido com o uso do hormônio ocitocina. O corte na região do períneo, realizado entre a vagina e o ânus para facilitar a passagem do bebê, também não é utilizado.

Segundo Jorge Kuhn, médico especialista em ginecologia e obstetrícia, a mulher possui livre escolha sobre seu corpo, desde que seja orientada quanto ao que pode acontecer em um parto. “Mesmo gestantes de baixo risco devem estar cientes, pois podem ocorrer complicações que necessitem de um plano de contingência”, explica.

O profissional afirma que existem três tipos de parto domiciliar. Entenda abaixo a diferença entre cada um.

1. Não planejado

Apesar do acompanhamento pré-natal, algumas mulheres podem entrar em trabalho de parto sem perceber ou até mesmo sem o auxílio necessário para dar à luz em casa. Nesses casos, Kuhn alerta que a remoção para o hospital deve ser feita imediatamente.

2. Planejado com assistência

O médico obstetra destaca que o parto domiciliar ideal é aquele com planejamento e assistência. Durante as consultas pré-natal, é necessário saber se a gestante apresenta risco habitual ou baixo. Se possui risco aumentado, como em casos de diabetes e hipertensão arterial, Kuhn aconselha o parto hospitalar.

O parto domiciliar deve ter a assistência de profissionais de saúde, como obstetras e obstetrizes que, segundo o médico, são parteiras tradicionais não certificadas academicamente ou formadas em curso superior de enfermagem, especializado em obstetrícia.

Além disso, Kuhn aponta a importância do plano de contingência no planejamento da família. “Serve para casos em que não é possível continuar na residência, por alguma emergência, e a mãe precisa ser removida para o hospital. O ideal é que o local que a receberá fique a no máximo 20 minutos de distância”, frisa.

3. Sem assistência ou não assistido

O médico obstetra não aconselha este tipo de parto domiciliar. “Os riscos aumentam, não há como ajudar. Ainda, há a possibilidade do bebê ser prematuro, além da falta de maturação do pulmão e traumas físicos na hora do parto, como quedas que podem ocasionar fraturas e até mesmo a morte da criança”, alerta.

Prós e contras

Kuhn acredita que é importante que o casal tenha confiança no profissional que o está atendendo, assim como conhecer os riscos para mãe e o bebê, além de saber o que fazer. “O melhor lugar do mundo para nascer, quando está tudo bem, é em casa. O melhor lugar do mundo para nascer, quando não está tudo bem, é no hospital”, pontua.

O profissional observa que o que leva as mulheres a preferirem o parto domiciliar é a fuga das intervenções, muitas vezes desnecessárias. “Nem todas querem ou podem optar por isso, é preciso ter critérios embasados para decidir”, garante.

Enfermeiros e obstetras são legalmente habilitados para assistir partos em casa, entretanto o Conselho Federal de Medicina considera mais seguro que ele seja feito no hospital. Além disso, não há plano de saúde que cubra parto domiciliar. O preço varia de cidade até profissionais envolvidos.

Os fatores que impedem mulheres de dar à luz em casa estão entre casos de gravidez de gêmeos ou mais, mãe com diabetes, hipertensão crônica e infecções, bebês com alguma anomalia, fora da posição correta e parto prematuro.

 

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