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A dificuldade para engravidar e a idade

Por Dr. Bruno Ramalho de Carvalho 11/12/2015

Como a idade afeta a fertilidade nas mulheres? A partir de que idade podemos constatar uma real dificuldade para engravidar? Nosso médico parceiro Doutíssima, Bruno Ramalho, ginecologista especialista no tratamento dos distúrbios da fertilidade, nos explica mais sobre esse assunto ainda pouco esclarecido.

Dificuldade para engravidar

Dificuldade para engravidar. Foto: iStock.

O efeito negativo da idade sobre a fertilidade, principalmente nas mulheres, não é assunto novo. No tempo do acesso vasto e fácil à informação, é de se estranhar que ainda existam pessoas que não conheçam minimamente essa realidade. Ao que parece, cerca de metade das mulheres ficariam boquiabertas ao serem informadas sobre um aumento gradual da dificuldade para engravidar à medida que a idade aumenta.

Dentre as norte-americanas entrevistadas por um grupo de pesquisadores há cerca de três anos, um terço acreditava na permanência de alguma fertilidade até a ocorrência da menopausa, desconhecendo, por exemplo, as dificuldades potenciais de se obter uma gravidez a partir dos 40 anos.

Dificuldade para engravidar que vem com o tempo

Por outro lado, se outrora os conceitos de idade e velhice andaram juntos, hoje podemos dizer que se perderam pelo caminho. Atualmente, a juventude é duradoura e muitas vezes ignora-se a quantidade de anos vividos. Mas, infelizmente, os quarenta anos de hoje não são os vinte ou trinta de ontem quando falamos de fertilidade.

Essa é uma preocupação cotidiana do profissionais da área que têm a missão de esclarecer às mulheres que, mesmo que se sintam jovens, dispostas e saudáveis, nada pode impedir o tempo de interferir negativamente sobre o envelhecimento dos seus ovários. Em outras palavras, não é possível parar o cronômetro biológico feminino.

Para tornar mais clara essa relação, proponho uma comparação didática entre o que acontece com os óvulos e o que acontece com a pele. Uma mulher de 40 anos pode ter uma pele bem cuidada, bonita, que continue a exercer as funções de proteção, a sudorese e as sensações. Entretanto, certamente essa mulher já não enxerga a mesma pele que tinha aos 30 ou 20 anos de idade, mas uma pele que carrega as marcas indeléveis do tempo que passou.

Pois bem, raciocínio semelhante pode ser feito para os óvulos, que mesmo num ambiente hormonal aparentemente normal, já carregam marcas do tempo suficientes para prejudicar a capacidade de serem fecundados ou de, uma vez fecundados, levarem ao nascimento de uma criança.

O mito da eterna juventude reforçado pelo avanço da ciência

Ainda nos deparamos em nossos consultórios com a crença de que a medicina de hoje é capaz de proporcionar a procriação a qualquer tempo. Isso não é verdade, a menos que a a opção escolhida seja a da gravidez a partir de óvulos de uma doadora anônima mais jovem.

O fato é que a medicina reprodutiva, mesmo utilizando a mais avançada das tecnologias, pode fazer muito pouco ou quase nada pela fertilidade quando os limites naturais já foram ultrapassados. Enquanto a gravidez acontecerá em cerca de 40% de todas mulheres submetidas à fertilização in vitro usando seus próprios óvulos, apenas cerca de 15% engravidarão da mesma forma a partir dos 40 anos.

Congelar óvulos, uma solução?

Frente à realidade exposta, cresce o número de mulheres que procuram os serviços de assistência reprodutiva para congelar seus óvulos com vistas à procriação no futuro. É a chamada preservação da fertilidade por motivação social.

Embora não seja, de fato, uma garantia de filhos, já que as melhores taxas de sucesso da fertilização in vitro estão entre 40% e 50%, o congelamento dos óvulos é uma tentativa de preservar gametas de melhor qualidade em prol da maternidade oportuna.

Por tudo isso, quando o assunto é fertilidade, nunca é demais falar da idade. Às mulheres com planos de maternidade, recomendo que avaliem seus momentos e não ignorem a limitação da capacidade reprodutiva, que é biológica e individualmente programada. Mas se ainda não for o momento certo de conceber, vale à pena ouvir a orientação de um especialista. Sem dúvidas, a mulher bem orientada terá as ferramentas necessárias para rever projetos de vida ou enxergar novos horizontes.

Dr. Bruno Ramalho

 

Bruno Ramalho atua há dez anos no tratamento dos distúrbios da fertilidade. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia e, depois, em Ginecologia e Obstetrícia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (FMRP – USP). Também na FMRP – USP, especializou-se em Reprodução Humana, além de ter se tornado Mestre em Ciências Médicas. Possui Título de Capacitação em Reprodução Assistida pela ASBRA – Associação Brasileira de Reprodução Assistida. Hoje, concentra seus estudos no tratamento da infertilidade e na preservação da fertilidade de pacientes oncológicas (oncofertilidade).

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