Tomar chá além de ser um hábito ligado ao prazer, ao conforto e ao convívio social, pode tem como vantagem propriedades terapêuticas. Isso porque as plantas e as ervas medicinais possuem substâncias conhecidas cientificamente como princípios ativos, que são sintetizadas de acordo com o meio em que vivem e possuem determinadas ações no nosso organismo.

Os princípios ativos, alcalóides, saponinas, taninos, mucilagens, flavonóides, entre outros, conferem uma ação terapêutica a ser determinada pelo uso dos chás. E são estes componentes bioativos que fazem dos chás alimentos funcionais.

Conheça os benefícios do chá (Foto: Istock)
Conheça os benefícios do chá (Foto: Istock)

Os benefícios do chá

A utilização de vegetais no auxílio do tratamento de doenças, conhecido como fitoterapia, é uma forma de tratamento natural, porém se mal utilizada pode causar sérios danos ao organismo. Dessa forma, é importante a utilização de uma planta que tenha fundamentação científica, ou seja, que suas propriedades tenham sido estudadas e comprovadas pela ciência, sendo validadas para o seu uso medicinal e terapêutico, garantindo eficácia e assegurando seus efeitos esperados.

Quando utilizados de maneira adequada, os fitoterápicos apresentam efeitos terapêuticos, às vezes, superiores aos dos medicamentos convencionais, com efeitos colaterais minimizados. Embora as espécies vegetais não tenham valor energético, dentro das suas variedades possuem outros componentes como vitaminas e minerais.

Existem diversas formas de utilizar as ervas e plantas medicinais, sendo os chás uma dessas formas, os quais são preparados de acordo com a parte da planta que contém maior concentração de princípios ativos.

Tipos de chá e formas de preparação

Confira os tipos de chá e formas de preparação da bebida. (Foto: Istock)
Confira os tipos de chá e formas de preparação da bebida. (Foto: Istock)

Atualmente, cerca de 3 mil produtos levam o nome de chá, mas na verdade somente podem ser considerados chás aqueles que tenham em sua composição a planta Camellia sinensis, árvore encontradas em zonas de alta umidade e temperatura extremas. Assim, aqueles chamados de chá de hortelã, erva-cidreira e outros são na verdade infusões.

A partir das folhas da Camellia sinensis é possível obter diferentes tipos de chás, os quais diferem pela forma de processamento, podendo ser divididos nas seguintes categorias:

Branco: São os brotos do chá verde que não passaram pelo processo de fermentação. Possuem maior concentração de polifenólicos.

Verde: As folhas do chá verde são colocadas sob vapor e passam por uma secagem logo após a colheita, a fim de evitar sua oxidação e preservar seus nutrientes.

Chá vermelho: Processo de estabilização com ultravioleta durante a fermentação que inibe as enzimas de degradação, mantendo uma maior concentração de polifenólicos.

Preto: As folhas passam por várias etapas de processamento, dentre elas a fermentação, que consiste em uma oxidação enzimática de flavonóis a teaflavinas, que constituem um grupo característico desse grupo de chá. São colocadas em tanques fechados até fermentarem, depois aquecidas e desidratadas. Este processo de fermentação confere ao líquido um tom avermelhado escuro e um sabor intenso.

Olong: Sofre um processo de fermentação parcial das folhas de Camellia sinensis, pela ação da enzima polifenoloxilase. Uma secagem rápida é feita logo após a colheita. Depois as folhas vão fermentar em um tanque, mas o processo é interrompido logo no início. Seu sabor é suave. Este chá representa apenas 2% do consumo mundial, enquanto o chá verde representa 22% e o chá preto em torno de 76-78% do total, por ser a forma mais difundida nos países ocidentais.

Infusão: A água em ebulição é despejada sobre a planta durante 5 a 10 minutos, com o recipiente tampado. Ideal para folhas, flores e ramos finos. Existem desvantagens em relação ao infuso, pois a extração do princípio ativo da planta é parcial com baixo aproveitamento, por isso não se aplica a plantas que contêm órgãos sólidos ou duros como constituintes.

Decocção: É um processo de cozimento da planta medicinal, que é colocada em um recipiente adequado (não metálico) com água suficiente, deixando sob fervura por 10 a 15 minutos. A extração por decocção permite um melhor aproveitamento dos compostos bioativos das plantas, com a desvantagem do gosto forte e mais amargo, devido à maior concentração desses compostos, prejudicando a palatabilidade. Esta forma é mais apropriada para raízes, cascas, sementes e frutos, porém estas devem ser cortadas em pequenos pedaços antes de serem utilizadas.

Maceração: Preparação a frio. Deixa-se a planta amassada em água fria de 7 a 24 horas. Neste caso, as vitaminas e sais minerais não são alterados pela fervura.
Em uma infusão, utiliza-se para 200ml de água 2 c. de chá de erva seca e 3 c. de chá de erva in natura. Já para raízes e cascas, a quantidade depende da qualidade da erva.

Os chás devem ser tomados puros ou adoçados com mel puro, canela ou cravo, nunca com açúcar, pois este sofre fermentação e altera suas propriedades medicinais.

As ervas não devem ser preparadas em utensílios de metal, pois estes causam alterações em seus princípios ativos e no seu sabor, devido à oxigenação. Os recipientes indicados são os de vidro, louça ou esmalte.

Os chás não devem ser consumidos após 24 horas após sua preparação; passado este período entram em fermentação. Também não deve ser utilizado o mesmo tipo de chá por mais de 30 dias seguidos, pois o organismo vai responder cada vez menos aos compostos bioativos. E também não devem ser reaquecidos.

 

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