Dica do Dermatologista

Alopecias cicatriciais: a importância de um diagnóstico preciso

Por Redação Doutíssima 31/10/2014

No texto abaixo dr. Anaflavia dividiu com o site Fortissima o tratamento que ela fez com dois pacientes com Alopecias cicatriciais. Descubra conosco os detalhes desse diagnóstico.

Alopecias cicatriciais

Procure um médica ao detectar os primeiros sinais de perda capilar.

Alopecias cicatriciais

Semana passada recebi no meu consultorio dois pacientes com historico de problemas capilares. Ambos sofriam ha dois anos com esse problema.

Meu primeiro contato com eles foi feito através daquilo que chamamos de anamnese, onde colhemos todas as informações relevantes dos pacientes. Em seguida dei início ao exame físico que, a princípio, não apresentou nada de importante. A terceira parte do exame foi feita com o vídeodermatoscópico em māos.

O vídeodermatoscópico é um aparelho utilizado por dematologistas e tricologistas para vizualizar o couro cabeludo e os fios de uma forma bem detalhada. A lente é capaz de aumentar a imagem até 400x. Através dele, é possivel ver analisar o formato dos vasos sanguíneos no couro cabeludo, bem como as alteraçōes de coloraçāo, textura, espessura e descamaçāo nāo percebidos a olho nu. Todas essas alteraçōes sāo pistas para se chegar ao diagnóstico.

No caso dos dois pacientes, o uso do vídeodermatoscópiopermitiu que eu detectasse algumas alterações como um leve grau de espessamento da pele do couro cabeludo, alternância de áreas esbranquiçadas e eritematosas, folículos ausentes e uma descamaçāo perifolicular diferente de uma simples dermatite seborreica. A primeira coisa que pensei foi no grupo de alopecias cicatriciais.

Alopecias cicatriciais sāo doenças que, com o passar do tempo, causam alopecia (queda capilar) de forma irreversível, pois há destruiçāo e morte do folículo piloso, ou seja sem capacidade de crescer outro fio naquele local.

Quando as Alopecias cicatriciais são diagnosticadas de forma precoce, temos maior possibilidade de estabilizaçāo do quadro para que não ocorra a progressāo da doença. Ex: Lupus eritematoso discóide, Líquen Plano entre outros.

Embora estivesse certa da pista encontrada, não seria possível dar o diagnóstico de certeza naquele momento, já que as doenças dos grupos das alopecias cicatriciais são muito semelhantes. A vídeodermatoscopia sozinha não foi totalmente suficiente. Parti então para o quarto passo em busca do diagnostico preciso: a biópsia.

E importante deixar claro que em muitos casos a vídeodermatoscopia e os exames sanguíneos sāo suficientes para chegar a um diagnóstico exato. No entanto, nesses dois casos particulares, a biópsia foi fundamental.

Diagnóstico dos pacientes: um deles foi diagnosticado como Líquen Plano Pilar e o outro Líquen Simples Crônico, ambos já apresentando destruiçāo de vários folículos pilosos e áreas de fibrose (cicatriz). Esses pacientes estavam sendo tratados para dermatite seborreica e alopecia androgenética sem sucesso. Iniciei o tratamento específico para cada caso em questão e deixei claro para os pacientes que o seu sucesso dependeria sobretudo da estabilização do quadro, ou seja, da não progressão da inflamação e alopecia, assim como a diminuição dos sinais e sintomas. Expliquei que não haverá crescimento de fios naquela região ausente de folículo. Talvez eles teriam um leve ganho de fios, mas de uma forma bem tímida (pelos folículos remanescentes, que estavam em repouso, ou seja “hibernados”).

O relato desses dois diagnóstico deve servir como exemplo para mostrar a importância de uma consulta médica imediatamente após a aparição dos primeiros sinais de queda capilar. Retardar o diagnóstico só aumenta as chances de lesōes irreversíveis.

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