O que diferencia uma criança que faz cara feia para a sopa de legumes e outra que devora uma cenoura crua como se fosse um doce é quase sempre o estímulo dos pais. Afinal, o paladar das crianças não é formado só pelos sabores (doce, salgado, amargo e ácido), mas também pelos odores, texturas e pelo prazer que a comida proporciona.

 

Dessa forma, as dimensões familiar e cultural, ao lado da carga genética, são determinantes para orientar as preferências alimentares da criança. Ou seja, cada um de nós nasce com uma predisposição para gostar mais de certos tipos de comida, mas a educação alimentar influencia nesse gosto ao longo da vida.

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O estímulo da família pela variação nas refeições é importante para a alimentação infantil. Foto: iStock

 

Variação de sabores desde a gravidez

Conforme a médica pediatra Elza Daniel de Mello, que integra a diretoria da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, o paladar das crianças pode – e deve – ser estimulado desde a gestação.

“Se a mãe comer alimentos variados, o líquido amniótico terá também sabores variados. O mesmo ocorre durante a amamentação”, explica Elza.

A prática de variar os sabores e os tipos de alimentos deve prevalecer nas fases seguintes do desenvolvimento da criança, desde o início da alimentação complementar, quando a criança passa a ingerir outros tipos de comida, além do leite materno.

A pediatra Elza de Mello orienta, ainda, que os pais mantenham atitudes neutras quando oferecem diferentes tipos de comida, sem ficar felizes quando as crianças aceitam um alimento ou tristes quando elas recusam outro. Essa reação pode induzir o comportamento da criança em relação à alimentação.

Segundo a médica, não existe restrição a nenhum alimento e também não há uma idade certa para introduzir determinado tipo de comida na dieta da criança, mas é recomendado restringir açúcares, refrigerantes, frituras e preparações prontas ou congeladas, que, em geral, são ricas em sódio.

Diferenças culturais no paladar das crianças

Um livro sobre a alimentação infantil que está fazendo muito sucesso no Brasil é Crianças francesas não fazem manha, de Pamela Druckerman (Editora Fontanar). A publicação faz uma comparação entre os costumes das mães francesas e norte-americanas para estimular o paladar das crianças.

Por exemplo: crianças americanas têm liberdade para comer biscoitos a qualquer hora do dia, enquanto as francesas só podem comer alimentos desse tipo em horários determinados. Pais americanos vetam doces pelo menos durante o primeiro ano de vida das crianças, já os franceses tratam todos os alimentos de forma natural.

Ao mencionar exemplos como os citados acima, a autora coloca em perspectiva diferentes visões de mundo. “Não” é uma palavra de ordem na educação das crianças francesas, ao passo que os pais americanos temem que o excesso de respostas negativas possa podar a criatividade de seus filhos. Esse excesso de liberdade também se revela na alimentação.

Os pais brasileiros parecem estar no meio do caminho entre essas duas visões. A dificuldade de estabelecer limites aproxima a prática das famílias brasileiras à das norte-americanas. Porém o incentivo, especialmente dos médicos, para variar os sabores desde cedo, revela uma tendência mais próxima da cultura francesa quando se trata de despertar o paladar das crianças.

 

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