Muitos casais que não conseguem engravidar procuram a ajuda de ginecologistas para saber o que pode estar impedindo o desenvolvimento de uma gravidez. De fato, alguns hábitos, como os alimentares, podem influenciar na fertilidade feminina, por exemplo.

Consumo de cafeína e gravidez 

Além de muito discutido, a influência do consumo de cafeína sobre a fertilidade é tema de várias pesquisas. A substância pode mesmo reduzir a fertilidade na mulher?  Parceiro do Doutíssima, o ginecologista e obstetra Dr. Bruno Ramalho de Carvalho é especialista em problemas de fertilidade . Neste artigo ele nos explica qual pode ser a influência do consumo de cafeína sobre as chances de gravidez.

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Muitos se perguntam qual é a influência que a cafeína pode ter sobre as chances de engravidar. Foto: Istock.

Pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, identificaram o consumo regular de cafeína por quase 70% das mulheres candidatas à fertilização in vitro. De acordo com uma outra pesquisa, esse hábito não parece interferir nas chances de gravidez dessas mulheres, mas é no mínimo curioso que o consumo de bebidas ricas em cafeína tenha sido o campeão entre os hábitos das norte-americanas com dificuldades para engravidar.

Não sabemos ao certo se existe interferência da cafeína sobre a fertilidade, pois há inconsistências nos vários estudos que tentam estabelecer essa associação. Há três anos, uma pesquisa da Boston University School of Public Health avaliou a relação entre o consumo de bebidas com cafeína e o tempo necessário para se conseguir uma gravidez. Entre as quase 4 mil mulheres envolvidas, a ingestão diária de três xícaras de café não foi suficiente para alterar a função reprodutiva ou os planos de concepção.

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O café e outras bebidas com cafeína podem aumentar as dificuldades de engavidar. Foto: Istock.

 

 

Da mesma forma, os dados são confusos quanto ao risco de perdas gestacionais. Para uns, pode haver um pequeno aumento das chances de se perder um bebê entre as mulheres que consomem mais de 100 mg de cafeína. Contudo, o entendimento científico mais comum é de que o consumo de até 300 mg de cafeína por dia não seja suficiente para levar malefícios à gravidez ou ao bebê.

Hábitos podem influenciar nas chances de engravidar

 

Não é absurdo pensar que o estilo de vida e os hábitos alimentares possam interferir sobre a fertilidade. Difícil, entretanto, é medir essa interferência em cada pessoa. Não é prudente, no que tange a reprodução humana, falar de hábitos de vida isolados como fatores de sucesso ou insucesso, sem considerarmos as particularidades de cada indivíduo, mesmo com o rigor da pesquisa científica.

Assim sendo, a melhor saída é recorrer a um lugar comum: o bom senso. Com ele, nos blindamos dos radicalismos e caminhamos por vias mais seguras. Para quem quer engravidar, ou já engravidou, e consome grandes volumes de café, chás ou refrigerantes no dia-a-dia, pode ser positivo reduzir as doses.

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Para quem deseja engravidar ou já está grávida, reduzir o consumo de cafeína poderia ser positivo. Foto: Istock.

Parar de consumir a cafeína temporariamente também não deve ser lá grande sacrifício e pode valer à pena se for pela gravidez ou, em último caso, por um sono mais tranquilo.

Dr. Bruno Ramalho de Carvalho

Dr. Bruno Ramalho atua há dez anos no tratamento dos distúrbios da fertilidade. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia e, depois, em Ginecologia e Obstetrícia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (FMRP – USP). Também na FMRP – USP, especializou-se em Reprodução Humana, além de ter se tornado Mestre em Ciências Médicas. Possui Título de Capacitação em Reprodução Assistida pela ASBRA – Associação Brasileira de Reprodução Assistida. Hoje, concentra seus estudos no tratamento da infertilidade e na preservação da fertilidade de pacientes oncológicas (oncofertilidade).

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