Bem-Estar > Qualidade de vida > Saúde

Abuso de analgésico pode causar dor de cabeça, alerta estudo

Por Vivian Ortiz 09/11/2018

Um analgésico costuma resolver uma dor de cabeça que surge de vez em quando. Mas se ela vem (quase) todos os dias, e você precisa tomar cada vez mais remédios, chegou a hora de procurar por ajuda. Sua dor de cabeça pode ser causada justamente pelo uso excessivo de analgésicos.

(Foto: iStock)

O alerta foi feito no Congresso Brasileiro e Panamericano de Neurologia, que aconteceu em outubro deste ano em São Paulo (SP). Médicos perceberam que pacientes com esse tipo de dor de cabeça estão visitando cada vez mais os consultórios em busca de tratamento.

Fonte do problema

Para descobrir se a dor de cabeça é causada por uso excessivo de analgésicos, existe uma dica. Vale anotar quantos dias no mês você precisa tomar remédios para acabar com o problema.

De acordo com o neurologista Fernando Kowacs, coordenador do Departamento Científico de Cefaleia da Academia Brasileira de Neurologia, se você usa aqueles remédios combinados (com analgésico, relaxante muscular e cafeína, por exemplo) mais de dez vezes por mês, vale procurar um médico. O mesmo para quem toma o analgésico simples por 15 dias ou mais no mês todo.

“Quando o cérebro deixa de receber a dose de analgésico, em algum momento a dor vai vir, e isso acaba se tornando um problema diário ou quase diário”, explica.

Sintoma secundário

É diferente quando você toma um analgésico para acabar com uma dor de cabeça porque está gripada, menstruada ou com alguma doença infecciosa, por exemplo. “Essas dores são secundárias, ou seja, acontecem por sintoma de alguma doença, que pode ser grave ou não”, diz.

Existem alguns casos, bem mais raros, de dores de cabeça que chegam de repente, e de forma intensa. “Essa dor pode ser um sinal de alguma hemorragia cerebral ou de ruptura de aneurismas cerebrais. Sempre deve ser investigado”, avisa Kowacs.

Por outro lado, quando as dores são recorrentes, a coisa muda de figura. É quando a dor de cabeça torna-se a doença em si, e os analgésicos tradicionais não resolvem mais.

Qual a diferença entre enxaqueca e cefaleia?

Esses nomes são bastante conhecidos por quem sofre de dor de cabeça e precisam de tratamento especializado. A diferença entre as duas é que a enxaqueca acontece em um lado da cabeça, pode ser de moderada a intensa, é latejante, dura entre quatro horas e três dias, causa enjoo, incômodo com a luz ou barulho, e atrapalha muito a vida – podendo até impedir a pessoa de trabalhar.

Já a cefaleia do tipo tensional dura de meia hora a sete dias, mas não é tão intensa quanto a enxaqueca. Não causa enjoo, a presença de luz ou barulho não é um incômodo. Apesar de afetar a cabeça toda, a pessoa consegue trabalhar ou estudar.

Quando falamos de enxaqueca, alguns estímulos desencadeiam as crises. “Ela pode ser causada por falta ou excesso de sono, menstruação, jejum prolongado, alto nível de estresse ou relaxamento após estresse, consumo de álcool ou até algum tipo de alimento”, afirma Kowacs.

Tratamento

No consultório, o especialista vai investigar o que dispara as crises de dor, para recomendar a medicação correta. A enxaqueca, em particular, é quase sempre herdada dos pais. “Em 80% dos casos, um deles tem a doença”, diz.

Segundo o neurologista, se forem dores de cabeça que acontecem de vez em quando, é possível usar analgésicos comuns ou anti-inflamatórios. “Mas, quando se trata da cefaleia ou crises de enxaqueca, nós usamos medicamentos específicos, que têm um efeito exclusivo”, explica.

São medicamentos preventivos, que o paciente toma diariamente para reduzir ou eliminar essas crises. Além disso, algumas atitudes ajudam no tratamento. “Estabilizar a rotina do paciente em relação ao sono e horário de alimentação, além de tentar controlar níveis de estresse e praticar atividade física aeróbica regular, diminuem a frequência das crises”, recomenda.

*Colaborou Vanessa Zampronho

Leia mais:


Sites parceiros