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Solidariedade após uma tragédia

Por Claudia Mercier 12/01/2015

A tragédia ocorrida na redação da revista francesa Charlie Hebdo colocou um holofote sobre vários problemas da sociedade atual, como a questão da intolerância religiosa e do extremismo. Mas também revelou o quanto o ser humano ainda tem a capacidade de ser solidário, de se sentir tocado pela causa do outro. Coincidência ou não, a palavra solidariedade tem origem no francês “solidarité” que também pode remeter à uma responsabilidade recíproca.

 

Manifestação 7

3,7 milhões de pessoas na marcha contra o terrorismo em Paris. Foto: Mouni Celina Dadoun

 

Solidariedade e comoção

 

Pessoas que participaram do ato, que reuniu 3,7 milhões de manifestantes pelas ruas de Paris, contam que sairam às ruas em solidariedade às famílias das vítimas e também em repúdio ao terrorismo e todas as formas de violência. “Eu, como militante política, como judia, me sinto no dever de lutar contra o terrorismo. Me sinto obrigada a manifestar em solidariedade a todos, no nome de todos, independentemente da nacionalidade ou religião. Mas é muito importante que essa união continue”, conta a aposentada francesa Gisele Clairment Dadoun, de 78 anos.

 

A brasileira Mariana Guimarães mora em Paris há um ano e participou da marcha em repúdio ao terrorismo. Ela narra que ficou comovida com a solidariedade entre as pessoas. “Nunca presenciei algo tão forte. O que mais me tocou foi ver as famílias nas ruas. Crianças, idosos, pessoas de todas as religiões, unidas numa só causa. Todos se respeitando e emocionados com aquele momento”, relata Guimarães.

 

Manifestação 4

Pessoas de todas as nacionalisdades unidas pela paz. Foto: Mouni Celina Dadoun

 

Solidariedade entre as nações 

 

Acompanhamos pela mídia que países do mundo inteiro estavam juntos em pensamento, ações em torno do mesmo ideal. Vimos países como Estados Unidos, Israel, Alemanha unidos numa mesma voz. Provavelmente essas nações foram solidárias por amor, por compaixão, mas também por se sentirem ameaçadas e fragilizadas. Ao mesmo tempo, esse grupo além de mostrar a força ao possível inimigo também se sentiu mais forte.

 

Faz bem fazer o bem

 

Estudos mostram que a “força do grupo” ilimita, principalmente quando formada por sujeitos frágeis e desamparados que num gesto de solidariedade, se agrupam e se fortaleceram. A psicóloga e psicanalista Maraisa Abrahão, explica que a fragilidade do outro muitas vezes aflora as nossas fraquezas. “A França está mais fortalecida depois dessa manifestação histórica. As pessoas perceberam que são milhões se defendendo e se protegendo. Ação solidária ameniza o medo individual. A solidariedade é uma saída ao horror”, acrescenta a especialista.

 

Abrahão esclarece que o que nos mostra ser solidário é fundamental ao ser humano. A manifestação ocorrida na França e em vários países do mundo certamente não dará fim ao terrorismo, mas serve para alertar a sociedade de que a busca pela paz deve ser uma contante. Fica o aprendizado que somos muitos, mas somos um só povo. A solidariedade não pode estar presente somente em momentos extremos como esses, mas precisa ser parte do nosso cotidiano. “Me sinto bem, tenho uma ação altruísta e me sinto mais forte, protegido”, conclui a psicanalista.

 

 


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