O nome parece estranho, mas a ludoterapia está crescendo cada vez mais no acompanhamento psicológico de crianças. Usando técnicas que permitem que os pequenos se expressem de forma lúdica, a terapia pode auxiliar no desenvolvimento e no tratamento das crianças.

 

De acordo com um estudo publicado em 2009 nos Cadernos de Educação de Infância, periódico apoiado pelo Ministério da Educação de Portugal, o termo em português vem da palavra play-therapy, que pode ser traduzida como “terapia pelo brincar”. Entretanto, esse brincar difere daquele que as crianças fazem no ambiente escolar.

ludoterapia
Ludicidade aplicada na terapia pode ajudar crianças a expressarem sentimentos. Foto: iStock, Getty Images

O que é a ludoterapia

Para explicar melhor esse tipo de acompanhamento psicológico voltado às crianças, conversamos com a psicóloga com ênfase em saúde mental e desenvolvimento humano, Rogéria Leal Renz.

“ Ludoterapia é a psicoterapia adaptada ao atendimento psicológico infantil, que utiliza o brincar como uma das formas da criança expressar suas fantasias, possibilitando assim a projeção de sua realidade interna” explica a psicóloga. Afinal, brincar tem uma funçâo terapêutica essencial ao período da infância.

Essa terapia é indicada para todas as crianças, especialmente para as que têm entre três e doze anos, enfatiza Rogéria. A psicóloga ainda complementa que essa terapia pode ser aplicada individualmente ou em grupo, dependendo da abordagem de da demanda apresentada.

Benefícios da ludoterapia

Através da ludoterapia, é possível avaliar aspectos emocionais, afetivos, sociais, familiares e outros, nos pacientes. “Através do lúdico, a criança pode expressar seus sentimentos e emoções que ainda não consegue verbalizar. O brincar torna-se instrumento para a criança expor situações ou vivências que a afligem”, explica Rogéria.

A terapia, em geral, promove o auto-conhecimento, facilitando a identificação do que mexe negativamente e positivamente com as pessoas. Com a ludoterapia é o mesmo caso, porém de uma forma muito mais sutil e direcionada aos hábitos infantis de inventar, criar e imaginar.

Além da criança que faz acompanhamento psicológico com técnicas dessa terapia, é importante o conhecimento e participação dos familiares e cuidadores no processo. Isso porque, segundo a psicóloga, os comportamentos e sintomas que a criança apresenta podem ser considerados um reflexo da dinâmica familiar.

Rogéria menciona como são importantes os momentos lúdicos durante o crescimento e desenvolvimento das crianças.

Ela cita o pediatra e psicanalista inglês Donald Woods Winnicott, que reforça a importância desses momentos de brincadeiras: “a criança joga (brinca), para expressar agressão, adquirir experiência, controlar ansiedades, estabelecer contatos sociais com integração da personalidade e por prazer”, diz.

Para identificar se uma criança precisa de acompanhamento psicológico, seja através da ludoterapia ou não, é preciso estar atento ao comportamento dela. Se ela apresenta hábitos ou atitudes que não parecem fazer parte das normas sociais, talvez seja hora de procurar ajuda.

Também é importante promover esse tipo de acompanhamento quando há um desequilíbrio na convivência que a criança está acostumada, como separação, chegada de um irmão ou irmã, falecimento de um familiar ou animal de estimação, entre outros.

Buscar ajuda de um profissional da área de psicologia pode tornar as aflições de qualquer pessoa mais leves e mais fáceis de entender. A ajuda pode beneficiar não só quem opta por um tratamento, mas todas as pessoas que convivem ao redor dela.

 

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