Só quem tem alergiasPara alguns, uma simples fatia de pão com manteiga de amendoim pode significar um grande perigo. Para outros, basta comer um crustáceo, ser picado por abelha, tomar um antibiótico… A grande maioria das pessoas sofrerá com os olhos irritados, o nariz escorrendo, as placas na pele e a coceira, a tosse e a dificuldade para respirar com o menor contato com ácaros, pêlos de gato, partículas poluentes ou pólen. E em períodos como a chegada da primavera, as alergias tendem a piorar.

 

Alergias: o mal do século

Longe de ser algo simples, este mal aumenta exponencialmente em todo o planeta. A OMS (Organização Mundial de Saúde) colocou as alergias em 4° lugar entre as doenças crônicas do mundo mais comuns. Ainda mais preocupante, a organização estima que, em 2050, uma em cada duas pessoas vão ser alérgicas.

Mas de onde vêm estas alergias e por que esta grande “epidemia”, já que a doença não era um grande tópico nos anos 50, 60 e mesmo 70? “A alergia é uma resposta inadequada e excessiva do sistema quando o corpo é colocado em contato com uma substância estranha identificada erroneamente como perigosa”, explica a professora da Universidade de Medicina Henri-Poincaré, de Nancy, Denise-Anne Moneret-Vautrin. “É uma doença multifatorial, complexa, que nasce do encontro entre uma predisposição genética com vários fatores ambientais. Pode ocorrer a qualquer momento, em qualquer idade”, afirma.

 

Uma falha do sistema imunitário

Na verdade, se trata de uma falha do sistema imunitário. Essa disfunção pode ter uma infinidade de fatores desencadeantes. O mais notório é o pólen, mas é sazonal, se manifestando por crises de espirro, prurido nasal, conjuntivite, coriza e risco de complicações (como a asma) apenas durante a primavera. No entanto, a doença também pode se desenvolver quando não há árvores ou flores envolvidos.

O que houve? O pólen mudou? Nosso organismo ficou mais sensível? Os alergistas acreditam que a culpa é da poluição e das partículas de dióxido de nitrogênio liberadas pelos automóveis que podem ser os responsáveis pela alteração da estrutura bioquímica do pólen. Eles acreditam até mesmo que a poluição poderia tornar algumas substâncias inofensivas do pólen em substâncias alérgenas.

Nossos amigos animais também têm sua parcela de responsabilidade. Sejam eles domésticos ou exóticos. O alérgeno se esconde nos pêlos, na saliva, na pele.

alergias

O mal está em toda parte, mesmo nos nossos pratos

Nos países industrializados, as alergias alimentares (a diferenciar das intolerâncias alimentares que não envolvem o sistema imunológico e não apresentam os mesmos sintomas) afetam de 10 a 25% das crianças e até 10% dos adultos. Estes são tão insidiosos que podem causar reações violentas como um angioedema ou anafilaxia.

Qualquer alimento pode causar uma alergia. Com a chegada de novos produtos alimentícios, frutas exóticas, como kiwi, comprovaram. E os métodos de fabricação reforçam o fenômeno. Com a ascensão de comida industrial, houve uma intensificação da frequência de crises de alergias nos anos 1985-1990. O fato de adicionar substâncias ou isolar proteínas para a incorporação em alimentos sem a sua matriz complexa, teve o efeito de agir negativamente sobre a flora intestinal.

 

Nosso modo de vida asseptizado pode ser nossa fraqueza

Os alergistas se questionam sobre o efeito perverso do excesso da higiene contra germes e outros microorganismos. Purificação da água, esterilização generalizada e uso intensivo de antibióticos destruíram os microorganismos, sejam eles bons ou ruins. Vários estudos têm mostrado que, crianças expostas no início da vida à uma vasta gama de bactérias, são muito menos propensos a desenvolver reações alérgicas mais tarde.

 

Soluções

Aos alérgicos, resta uma vida bastante complicada e cheia de restrições.

Os fabricantes de alimentos reagem propondo produtos sem glúten e lactose, um mercado que cresce até 10% por ano. E os regulamentos começam a impor que os produtos de grande consumo contenham rótulos que alertem à presença de alérgenos. Medidas ainda insuficientes dada à magnitude do problema.

 

No vídeo abaixo, a médica esclarece as dúvidas sobre alergias. Confira!

 

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