Nociva para o relacionamento, a possessividade merece muita atenção. Quando as pessoas estão apaixonadas, é comum dizerem uma para a outra, “eu sou sua” ou “você é meu”. Pode ser uma maneira divertida de expressar o sentimento, mas há quem leve esse conceito muito mais ao pé da letra.
A possessividade não é um sentimento de prazer, de amor, mas de desprazer. Expressa-se na forma de medo em perder o parceiro, ou no desconforto real ou imaginário que o mesmo tenha relacionamento com uma terceira pessoa . “É um sentimento de posse, o qual muitas vezes pode limitar a vida do outro”, explica a psicóloga Sônia Wallau.
Possessividade e ciúme
Algumas vezes, o problema, que atinge tanto homens quanto mulheres, pode ser confundido com ciúme. Mas há uma diferença fundamental, de acordo com Sônia. O ciúme, pode ser considerado normal quando não afeta a qualidade do relacionamento, havendo respeito e autoconfiança em ambos.
“É um sentimento instintivo e natural apresentando medo de perder a pessoa amada”, completa a psicóloga.
No entanto, quando exagerado, o ciúme pode evoluir para a possessividade e sintomas paranoides: vigilância constante, tendo certeza da infidelidade do parceiro e sua vida se resumirá à compulsão em vigiar cada passo do outro.
Sônia alerta que a intensidade da obsessão possessiva está relacionada com o nível de baixa autoestima. Trata-se de uma reação complexa, e o limite pode ser reconhecido a partir da intensidade.
“O ciúme em excesso revela carência e insegurança. Surge a desconfiança exagerada em relação ao outro, podendo tornar-se extremamente vigilante e controlador”, acrescenta.
A explicação psicológica da possessividade e do ciúme em seus determinados graus de intensidade, segundo a psicóloga, pode ser decorrente de uma personalidade problemática na infância. Pode ocorrer uma persistência de mecanismos psicológicos infantis, como foi o apego aos pais nos primeiros anos de vida.
Complexo de Édipo explica a possessividade
Segundo Sônia, a psicanálise explica como consequência do Complexo de Édipo não resolvido: entre os quatro e seis anos de idade, a criança se identifica com o progenitor do mesmo sexo e simultaneamente tem ciúmes pela atração que ele exerce sobre o outro parceiro (pai ou mãe).
“Isto precisa ser resolvido em nível inconsciente, pois quando existe uma fixação nessa fase fálica, na idade adulta poderá reaparecer sob a forma de uma possessividade ou mesmo uma paranoia”, explica.
De acordo com a psicóloga, a ocorrência da obsessão possessiva não está relacionada a faixas etárias, mas sim à maneira como o casal consegue manter o relacionamento saudável, independente da idade. E tem a ver, também, muito com a personalidade de cada um.
A boa notícia é que o problema pode ser tratado. Casos mais leves podem ser levados ao consultório do psicólogo e terapia de casal ajuda bastante. “Estabelecendo um diálogo franco e aberto, com a reflexão do que sentem um pelo outro e sobretudo, o que possa melhorar a relação para que este caso não se torne ciúme patológico”, diz Sônia.
Ela ressalta ainda que a psicoterapia individual torna-se indispensável, pois a fronteira entre imaginação, fantasia; crença e certeza, torna-se vaga e imprecisa para a pessoa ciumenta em excesso.
Então, a terapia surge para melhorar a auto confiança do paciente, fortalecendo a autoestima. “Reduzido o nível de insegurança, é esperado a diminuição da aflição do ciúme”, completa.
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