Você sabe o que é microcefalia e como a epidemia está afetando o Nordeste do Brasil? O aumento drástico do número de mortes de recém-nascidos pela malformação congênita, principalmente em Pernambuco, deixou o País em estado de emergência em saúde pública. Enquanto o Ministério da Saúde investiga os casos, os índices crescem.

A situação tem causado apreensão entre grávidas e mulheres que planejam uma gestação. Afinal, é seguro engravidar neste momento?

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Decisão sobre engravidar no momento é individual de cada mulher, disse o Ministério da Saúde. Foto: Shutterstock

 

Recomendação às gestantes

Em nota oficial, o Ministério da Saúde informou que não há uma recomendação do governo para que as mulheres evitem a gravidez no momento devido à epidemia.

 

A polêmica sobre essa questão surgiu após entrevista de Cláudio Maierovitch, diretor do departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis, na qual disse que “o conselho mais sóbrio a ser dado por enquanto é que as mulheres não engravidem”.

No dia seguinte à declaração do diretor, o Ministério da Saúde divulgou o comunicado onde esclarece que não há orientação para que as mulheres não engravidem. “A decisão de uma gestação é individual de cada mulher e sua família”, estabelece o texto.

De acordo com o comunicado, a recomendação é que mulheres que pretendem engravidar conversem com a equipe de saúde de sua confiança, a fim de avaliar as informações e os riscos da gestação.

Para as gestantes, o Ministério da Saúde orienta que devem ser feitos o pré-natal e os exames necessários, além de não consumir bebidas alcoólicas e drogas, nem tomar medicamentos sem prescrição médica.

Outras recomendações consistem em evitar contato com pessoas com doenças infecciosas, adotar medidas de redução de mosquitos transmissores de doenças e a proteção contra os insetos, a partir da instalação de telas nas portas e janelas e do uso de roupas compridas e repelentes específicos para gestantes.

Entenda o que é microcefalia

Afinal, o que é microcefalia? A doença consiste em uma malformação congênita em recém-nascidos, resultando em um desenvolvimento inadequado do cérebro. Bebês com a anomalia nascem com perímetro cefálico menor do que o normal, habitualmente superior a 33 cm.

Cerca de 90% das microcefalias são associadas ao retardo mental, com exceção das que têm origem familiar. O nível de gravidade das sequelas são específicas para cada caso, mas tratamentos iniciados nos primeiros anos de vida podem melhorar o desenvolvimento da criança. Dependendo do quadro, é possível corrigir o problema por meio de cirurgia.

As causas de microcefalia estão relacionadas a diferentes fatores. Substâncias químicas e agentes biológicos, entre eles radiação, bactérias e vírus, além de consumo de álcool, drogas e produtos tóxicos durante a gravidez podem desencadear a anomalia.

 

Números da doença no País

De acordo com o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado na última terça-feira (17), houve 399 casos notificados da doença neste ano, distribuídos em sete Estados da região. Só em Pernambuco, eram 268 casos sob investigação – em comparação a 12 registros em 2014.

O Estado que aparece em segundo lugar no índice de microcefalia é Sergipe que, até a última terça registrava 44 casos, seguido por Rio Grande do Norte, com 39 investigações. Em um cenário brasileiro, no ano passado, foram notificados 147 casos de microcefalia.

O Ministério da Saúde não passou dados atualizados sobre o número de casos. O próximo boletim epidemiológico será divulgado amanhã (24).

Os casos de microcefalia e as causas da epidemia são investigados pelo Ministério da Saúde desde 22 de outubro, depois de ele ter recebido notificação da Secretaria de Estado da Saúde de Pernambuco sobre os números assustadores de mortes pela anomalia.

 

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